Um dia após avalanche no Nepal, terremoto atinge o Tibete

Abalo sísmico aconteceu dias após uma enxurrada deixar 123 mortos e 245 desaparecidos em áreas próximas à fronteira com o Nepal

Terremoto atinge o Tibete, na fronteira da China com o Nepal
Foto: Reprodução/GFZ
Terremoto atinge o Tibete, na fronteira da China com o Nepal

Um terremoto de magnitude 4,9 atingiu o Tibete , às 22h45 desta quinta-feira (27), pelo horário local (11h45 no horário de Brasília).

O tremor foi registrado no condado de Nyima, na cidade de Nagqu, a cerca de dez quilômetros de profundidade, segundo o Centro Alemão de Pesquisas em Geociências (GFZ).

A região do Tibete fica na fronteira entre China e Nepal, países severamente afetados por uma avalanche registrada naquarta-feira (26), que deixou 332 mortos e cerca de 1,5 mil pessoas desaparecidas , segundo os números divulgados pelas autoridades.

O epicentro deste terremoto ficou a cerca de 800 quilômetros do local atingido pela avalanche e não foi informado pelas autoridades locais se os fenômenos têm relação.

Avalanche causa danos no Nepal

A tragédia aconteceu depois que uma parede de gelo, lama e rochas desabou em um rio, provocando uma enchente que atingiu áreas do Nepal e do Tibete.

As buscas pelos desaparecidos entraram no segundo dia nesta quinta-feira (27). Mais de 5 mil militares e policiais participam da operação de resgate. No primeiro dia, as autoridades nepalesas usaram helicópteros para procurar sobreviventes e levar suprimentos de emergência a milhares de pessoas isoladas.

823 pessoas estão desaparecidas no Nepal , sendo 700 estrangeiros. No Tibete, outras 558 pessoas seguem desaparecidas, das quais 260 são estrangeiras. As condições do tempo e os destroços dificultam o trabalho das equipes de resgate.

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Foto: ImpactNews
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Geleira pode ter causado tragédia

Uma parte da geleira que cobre as montanhas do Himalaia pode ter sido o ponto de partida da avalanche que desencadeou a enchente devastadora no Nepal.  

Imagens de satélite analisadas por especialistas indicam que a parte inferior de uma geleira se rompeu a cerca de 5.200 metros de altitude e despencou aproximadamente 1.200 metros até o fundo de um vale.

O material não era apenas gelo. A queda teria levado também grandes volumes de rochas e sedimentos para o rio Lhende, afluente do Bhote Koshi. A entrada repentina desse material no curso d'água é apontada como o possível gatilho da onda de água, lama e pedras que avançou pelo distrito de Rasuwa, na fronteira com a China.

O Centro Internacional para o Desenvolvimento Integrado das Montanhas (ICIMOD) informou que  cientistas do Nepal e da China investigam se uma avalanche de gelo e rocha em uma área de grande altitude provocou a enchente. A entidade classificou a avalanche no Lhende Khola como o gatilho suspeito, mas ressaltou que a causa ainda não foi confirmada.

O geólogo Dan Shugar, da Universidade de Calgary, em entrevista à Reuters, analisou imagens da Planet Labs e identificou o desprendimento da parte inferior da geleira. Segundo ele, a massa de gelo caiu de uma região a aproximadamente 5.200 metros para o vale, cerca de 1.200 metros abaixo.


Shugar afirmou que o material observado nas imagens é compatível com um grande colapso de gelo. Ele também apontou que o derretimento de neve registrado nas horas anteriores e possíveis obras na região estão entre os fatores que ainda precisam ser investigados. Não há, porém, confirmação de que o aquecimento do planeta tenha provocado diretamente o rompimento.

O professor e pesquisador de clima Rijan Bhakta Kayastha, também ouvido pela agência de notícias, avaliou que a avalanche de gelo pode ter caído sobre o Lhende e bloqueado o rio. A água teria se acumulado atrás da barreira antes de avançar pelo vale.