
Lin Jian, um dos porta-vozes do Ministério das Relações Exteriores da China, falou que autoridades japonesas devem “parar de brincar com fogo”, em relação à possibilidade de os Estados Unidos estacionarem armas nucleares em território japonês.
Segundo a agência de notícias estatal chinesa Xinhua, a declaração de Lin aconteceu na sexta-feira (09), ao responder a uma pergunta sobre uma pesquisa recente realizada pela Associação Japonesa de Pesquisa de Opinião Pública (Japor, na sigla em inglês), que buscou entender a visão da população japonesa sobre os Três Princípios Não Nucleares .
Desde 1967, o Japão, apoiado por ampla maioria de sua população, segue os três princípios relacionados a armas nucleares: não possuir armas nucleares, não produzi-las e não permitir que sejam introduzidas em seu território. As medidas refletem o trauma histórico do país após os bombardeios atômicos de Hiroshima e Nagasaki em 1945.
Porém, o assunto voltou a ser debatido a partir de uma ampla revisão da estratégia nacional de defesa, proposta pela primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, diante do fortalecimento militar da China e da Coreia do Norte e das incertezas sobre o papel dos Estados Unidos na segurança regional.
“As autoridades japonesas devem atender ao apelo do povo, cumprir a obrigação do país, prevista no direito internacional, de não aceitar, produzir, possuir ou proliferar armas nucleares, e parar de brincar com fogo na questão das armas nucleares.” Lin Jian, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China.
Apoio popular
A pesquisa de opinião pública citada por Lin se refere a um dado coletado entre a população japonesa, feita pela Japor, sobre o apoio das pessoas do país aos Três princípios Não Nucleares.
Segundo a Associação Japonesa de Pesquisa de Opinião Pública, foi constatado que 76% da população japonesa apoia a manutenção dos três princípios, e 77% dos entrevistados são contra que o Japão não busque o compartilhamento nuclear com os EUA.
Segundo o porta-voz, quase 80% da população japonesa apoiar a manutenção dos princípios, demonstra oposição à revisão da estratégia de defesa proposta pela primeira-ministra, além de refletir a valorização do estado de paz por parte dos japoneses. Em sua fala, Lin ainda citou que as atuais ambições políticas podem colocar em risco o futuro da população do Japão.
“As recentes medidas tomadas por aqueles que dirigem o governo japonês para clamar pela ‘opção nuclear’ e tentar violar os três princípios antinucleares apenas revelam as crescentes ambições políticas e militares das forças de direita japonesas, que estão colocando em risco o futuro de mais de 100 milhões de japoneses.” Lin Jian, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China.
Princípios
Os três princípios não nucleares foram propostos pelo primeiro-ministro Eisaku Satō em 1967, durante um discurso no parlamento japonês, e adotados oficialmente após aprovar formalmente a resolução em 1971, consolidando a identidade pacifista da nação pós-guerra do Japão.
Durante a cerimônia do 81º aniversário do bombardeio atômico de Nagasaki, em Hiroshima, na quinta-feira (06), a primeira-ministra do país foi questionada sobre a possibilidade de mudança na política antinuclear. Ao responder, Takaichi disse que o Japão segue os três princípios, mas não esclareceu se pretende mantê-los.
Os Três Princípios (Hikaku San Gensoku)
- Não possuir: o país renuncia ao direito de ter armas nucleares em seu arsenal.
- Não produzir: o Japão proíbe a fabricação de qualquer tipo de artefato bélico nuclear em solo nacional.
- Não permitir a introdução: fica proibido trazer ou estacionar armas nucleares estrangeiras em território ou águas japonesas.
O porta-voz chinês ainda destacou que lições da agressão e expansão do militarismo japonês devem servir para sempre como um alarme, e que é necessário que o Japão atenda às preocupações da comunidade internacional e cumpra suas obrigações de não proliferação nuclear.