Gigante de Tarapacá, no Chile
Reprodução/Governo do Chile
Gigante de Tarapacá, no Chile

Apelidado de "homem-gato", o Gigante de Tarapacá é um enorme desenho feito no chão do deserto do Atacama, no norte do Chile. Com 82 metros de altura e cerca de três mil metros quadrados de área, a figura foi criada entre os anos 1000 e 1400 por povos que viviam na região antes da chegada dos incas e é um dos maiores geóglifos do mundo.

O desenho fica a cerca de 84 quilômetros de Iquique e 14 quilômetros de Huara, na região de Tarapacá. O apelido popular "homem-gato" foi dado por causa da aparência, com uma cabeça quadrada cercada por linhas que lembram raios e um cajado na mão esquerda.

A figura foi feita com uma técnica que o destaca na paisagem do deserto.

Gigante de Tarapacá é um dos maiores geóglifos do mundo
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Gigante de Tarapacá é um dos maiores geóglifos do mundo


O geoglifos foram feitos aproveitando ao máximo as características geológicas e geográficas do deserto. A maioria foi feita raspando a camada oxidada da superfície, produzindo um desenho claro que contrasta com o material mais escuro ao redor. Luis Briones-M., arqueólogo da Universidade de Tarapacá.


Sobre o Gigante de Tarapacá, o arqueólogo descreve a figura como um desenho humano feito com técnicas combinadas, marcado por uma cabeça com duas pontas, corpo estreito nas laterais e representação frontal.

O Gigante de Tarapacá foi planejado para ser visto a uma distância entre 2 e 2,5 quilômetros e também pode ser observado de pontos mais altos da região, de acordo com interpretações baseadas na forma como os antigos povos andinos enxergavam a paisagem.

Além do gigante, o Cerro Unita  ainda reúne outras figuras feitas no chão, incluindo formas geométricas e a imagem de um lagarto.

Conhecido como
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Conhecido como "homem-gato", o gigante pode representar uma antiga divindade andina


Tributo a um deus

Segundo um estudo publicado em 2006 pelo arqueólogo Luis Briones-M., da Universidade de Tarapacá, os desenhos espalhados pelo deserto do Atacama estavam ligados às antigas rotas usadas por caravanas de lhamas antes da chegada dos espanhóis à América.

Essas figuras podem ter servido como pontos de referência para mostrar onde ficavam as fontes de água, áreas onde os animais podiam pastar e locais de descanso para os viajantes. Briones também diz que os grupos que andavam nessas rotas ganharam cada vez mais importância na região a partir do ano 800.

Segundo o estudo, o  Gigante de Tarapacá pode representar uma divindade dos povos andinos. Uma das hipóteses é que a figura esteja ligada ao deus aimará Tunupa ou a outra divindade relacionada à água e às montanhas, fazendo do local um espaço de culto e peregrinação.

O Gigante de Tarapacá pode ser observado a uma distância entre 2 e 2,5 quilômetros
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O Gigante de Tarapacá pode ser observado a uma distância entre 2 e 2,5 quilômetros



Mais de cinco mil desenhos no deserto

Segundo Briones, já foram achados mais de cinco mil geoglifos no deserto do Atacama. A maioria é formada por figuras geométricas, mas também existem desenhos de pessoas, animais e elementos da natureza, como lhamas, flamingos, águias, lagartos, raposas, cães, macacos, golfinhos e tubarões.

Pesquisas realizadas em 2018 pelo Centro de Estudos Históricos da Universidade Bernardo O'Higgins indicam que o local era um ponto de encontro de antigas rotas de circulação e, muito provavelmente, um espaço usado para peregrinações, cerimônias religiosas e ofertas feitas por viajantes.

As pesquisas sobre os desenhos do deserto começaram na década de 1970. O primeiro estudo organizado na região de Tarapacá foi realizado por Lautaro Núñez, em 1976. Dois anos depois, teve início um programa de preservação devido aos danos vistos em sítios arqueológicos próximos à Rodovia Pan-Americana.

A figura pode ponto ter servido de referência para antigos viajantes
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A figura pode ponto ter servido de referência para antigos viajantes


Em 2018, um levantamento encomendado pelo Ministério de Bens Nacionais ao Centro de Estudos Históricos da Universidade Bernardo O'Higgins reuniu informações arqueológicas e históricas que ajudaram na criação da área protegida, oficializada em 2019.

Briones afirma que ainda não é possível saber com certeza por que esses povos decidiram criar os geoglifos. Segundo o pesquisador, as razões para marcar, transformar ou tornar sagrada a paisagem do deserto por meio desses grandes desenhos provavelmente continuarão sendo um mistério. Para ele, essas obras são resultado de um longo processo de construção cultural inspirado pela própria paisagem do Atacama.

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