Um tribunal de apelações barrou, nesta segunda-feira (15), a tentativa do presidente Donald Trump de demitir Lisa Cook, diretora do Federal Reserve (Fed), o Banco Central dos Estados Unidos. A decisão, por 2 votos a 1, foi divulgada poucas horas antes do início da reunião do Fed nesta terça-feira (16), que definirá a taxa de juros.
Apesar da decisão aumentar as chances da economista participar da reunião, Trump ainda pode pedir a intervenção da Suprema Corte.
Juros sob pressão
A disputa judicial ocorre em meio à pressão de Trump para reduzir os juros. A expectativa é que ocorra um corte de 0,25 ponto percentual na quarta-feira (17), segundo investidores ouvidos pela Bloomberg.
Enquanto Cook tenta manter sua cadeira, o assessor econômico de Trump, Stephen Miran, foi confirmado pelo Senado para integrar a diretoria do Fed e participar da votação do colegiado.
Processo judicial
Cook processou Trump após ele demiti-la, sob acusações de fraude hipotecária feitas por Bill Pulte, diretor da Agência Federal de Financiamento Habitacional. Ele afirmou que ela teria declarado como "residência principal" imóveis em Michigan e Geórgia para obter condições favoráveis de empréstimo, além de uma terceira hipoteca em Massachusetts.
A juíza distrital Jia Cobb havia decidido que a tentativa de destituição violava o devido processo legal. A decisão do tribunal de apelações mantém essa ordem.
Dois juízes nomeados por Joe Biden votaram contra a remoção, enquanto o indicado de Trump, Greg Katsas, discordou. Ele argumentou que Cook poderia receber salários retroativos se vencesse o processo.
O advogado de Cook alertou que qualquer ameaça à sua participação na reunião do Fed poderia gerar turbulência no conselho e impactar os mercados.
Em comunicado, o Departamento de Justiça dos EUA disse que "não comenta litígios em andamento ou potenciais, incluindo questões que possam estar sob investigação". O Fed não se pronunciou.