China lança mísseis em Taiwan durante exercícios e país ativa defesa

Taipei orientou cidadãos a usarem app para achar refúgios

China lança mísseis balísticos em Taiwan
Foto: Reprodução
China lança mísseis balísticos em Taiwan

O Ministério da Defesa de Taiwan confirmou que a China "lançou diversos mísseis balísticos" nas águas do norte e do sul da ilha durante os exercícios militares realizados nesta quinta-feira (4).

Segundo o representante, os disparos foram feitos a partir das 13h46 (hora local) pelo Exército Popular da Libertação e, como resposta, o governo do território ativou seus sistemas de defesa antimísseis. Para a pasta, as ações chinesas "são irracionais" e "ameaçam a paz e a estabilidade regionais".

"Não buscamos uma escalada, mas não pararemos quando se trata de nossa segurança e soberania. Apoiamos o princípio de se preparar para a guerra sem buscar a guerra e com o comportamento de não intensificar os conflitos e não provocar controvérsias", diz ainda o ministério.

Os exercícios militares ao redor de Taiwan são uma resposta de Pequim à visita da presidente da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, Nancy Pelosi, à ilha nesta semana, o que foi visto como uma "provocação" e uma "traição" de Washington.

Os treinamentos foram iniciados ao meio-dia (hora local) e, oficialmente, devem seguir até às 12h do próximo domingo (7), mas Taipei informa que os chineses adicionaram uma nova área de atuação para as manobras militares - a sétima - e que agora elas serão realizadas até a segunda-feira (9), às 10h.

Em nota, o coronel Shi Yi, porta-voz do Comando do Teatro Oriental, afirmou que o lançamento de mísseis "atingiu com precisão todos os objetivos" e que as atividades marítimas "permitiram testar as capacidades de ataques de precisão e de bloqueio da área". "A missão está sendo um verdadeiro sucesso", acrescentou.

Além das ações marítimas, o treinamento chinês também prevê testes em terra firme e atividades de controle de espaço aéreo.

A ideia, segundo informa a agência chinesa Xinhua, é fazer um "teste geral" sobre as capacidades de combate e de coordenação de tropas do exército.

A situação com Taiwan, porém, não é a única a elevar a tensão na região. Parte dos exercícios está sendo realizada próxima ao Japão e, conforme a mídia local, "isso pode acelerar as discussões já em andamento sobre o papel do país na contenção da crise em Taiwan, obrigando os políticos japoneses a pensar de maneira mais concreta em tal alternativa".

Refúgios

Por conta dos exercícios chineses, a cidade de Taipei está pedindo para que os cidadãos baixem um aplicativo para localizar os cerca de 5,7 mil refúgios antiaéreos disponíveis na cidade.

O porta-voz do Escritório Municipal para Administração dos Edifícios Públicos, Cheng Ta-chuan, informou que as estruturas têm a capacidade de abrigar até 12,8 milhões de pessoas, o que equivale a cinco vezes a população da cidade.

Em caso de emergência, os locais serão abertos nas áreas de risco pelo Ministério da Defesa e, por isso, é bom estar já familiarizado com a localização dos abrigos.

Repercussões

Já no campo político, o alto representante para a Política Externa da União Europeia, Josep Borrell, condenou a agressividade da China por conta da visita de Pelosi.

"Não há nenhuma justificativa para usar uma visita oficial como um pretexto para uma atividade militar agressiva no estreito de Taiwan. É normal e rotineiro que legisladores dos nossos países viagem em nível internacional. Convidamos a todas as partes a manter a calma, exercitar a moderação e agir com transparência", disse Borrell, que está no Camboja para uma reunião internacional de países asiáticos.

Além da fala de Borrell, os ministros das Relações Exteriores da Asean, formada por 10 nações do sudeste asiático (Brunei, Camboja, Indonésia, Laos, Malásia, Myanmar, Filipinas, Singapura, Tailândia e Vietnã) emitiram uma nota em que afirmam que a situação em Taiwan "pode criar conflitos abertos".

Para o grupo, os exercícios militares "podem desestabilizar a região e, ao fim, levar a erros de cálculo, graves conflitos, conflitos abertos e consequências imprevisíveis entre as grandes potências".

Já a China atacou uma declaração do grupo G7 e voltou a acusar os Estados Unidos de "causarem os problemas, a crise e a aumentar a tensão na região".

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