Chefe da CIA e líder do Talibã teriam participado de reunião secreta

Encontro entre representantes teria como objetivo debater prazo de retirada de tropas; Prazo final termina no dia 31 de agosto de 2021

Foto: Reprodução
Chefe da CIA e líder do Talibã teriam participado de reunião secreta

Um dos líderes do Talibã, Abdul Ghani Baradar , teria se reunido com o diretor da Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos (CIA, na sigla em inglês), William Burns, em Cabul - capital do Afeganistão -, para debater sobre o prazo para a conclusão da retirada das tropas americanas do território afegão. Quem detalha o encontro é o jornal norte-americano "The Washington Post", nesta terça-feira (24).

O encontro teria ocorrido na última segunda-feira (23) e é considerado o de mais alto nível desde que o grupo fundamentalista reassumiu o poder no país. Isso porque o agente americano Burns é visto como um dos mais experientes diplomatas do governo de Joe Biden. Já o representante fundamentalista Baradar foi um dos negociantes do acordo firmado durante o governo de Donald Trump - ele saiu da prisão a pedido do republicano em 2018.

O "WP" disse que a CIA não informou o conteúdo da reunião, mas fontes ouvidas pelo jornal informaram que o assunto girou em torno de um aumento no prazo para a retirada dos civis afegãos e das tropas norte-americanas do território, que se encerra em 31 de agosto.

Publicamente, o grupo extremista afirmou que não haverá nenhuma mudança na data e Washington também informa que a saída ocorrerá no prazo previsto. No entanto, mantendo esse cronograma, milhares de civis que auxiliaram os países ocidentais durante a invasão dos últimos 20 anos não conseguirão deixar o Afeganistão - e terão suas vidas em perigo.

A caótica saída de Cabul desde o dia 15 de agosto tem mostrado diariamente cenas de desespero, com confusões constantes entre aqueles que conseguem chegar até o aeroporto. Estima-se que mais de 10 pessoas tenham morrido no local, além de alguns civis que se agarraram aos trens de pouso de aeronaves militares norte-americanos.


Governos europeus reconheceram que nem todos serão retirados a tempo do Afeganistão e estão divididos sobre o que fazer com essas pessoas.