A disputa aumentou depois que o New York Times informou que as autoridades da UE atrasaram e depois reescreveram o relatório depois que a China tentou impedir sua liberação
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A disputa aumentou depois que o New York Times informou que as autoridades da UE atrasaram e depois reescreveram o relatório depois que a China tentou impedir sua liberação



Não bastasse a pandemia de coronavírus e suas consequências em todo o planeta, o chefe de política externa da União Européia (UE), Josep Borrell, está sendo questionado sobre o vírus. O motivo é que existem alegações de que um relatório sobre uma possível desinformação por parte da China sobre a Covid-19 teria sido diluído , em resposta à pressão de Pequim.

Em uma carta a Josep Borrell, o eurodeputado holandês Bart Groothuis pede uma "explicação formal e completa ao Parlamento Europeu "quanto à evolução deo relatório da UE sobre desinformações, em meio a evidências emergentes de que ele foi alterado sob pressão chinesa".

A polêmica aumentou na semana passada, quando o New York Times informou que as autoridades da UE atrasaram e reescreveram o relatório depois que a China tentou impedir sua liberação. "Os chineses já estão ameaçando reagir se o relatório for publicado", escreveu Lutz Güllner, chefe de comunicações do Serviço de Relações Exteriores da UE, aos colegas na terça-feira passada (21), em um e-mail acessado pelo jornal.

O relatório foi publicado no site de monitoramento da União Europeia chamado  EU vs Disinfo  na sexta-feira (24). O documento resume e analisa, amplamente, as informações disponíveis ao público . Ele observa um "impulso contínuo e coordenado por alguns atores, incluindo fontes chinesas, para evitar qualquer culpa pelo surto da pandemia e destacar a assistência bilateral", bem como "evidências significativas de operações chinesas secretas nas mídias sociais".

Groothuis disse, em entrevista, que a UE parecia "vestir a carapuça", afirmando que uma versão anterior do relatório havia fornecido detalhes de falsas alegações do governo chinês. Segundo Groothuis, por exemplo, a China teria relatado que 80 políticos franceses haviam assinado uma declaração usando uma ofensa racista para denegrir o chefe da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Groothuis, ex-analista do Ministério da Defesa da Holanda, disse que é extremamente importante para a alta administração da UE apoiar a análise factual independente. "A China se tornará mais forte, mais próspera e poderosa, também militarmente. Não será a última vez que eles tentarão intervir nas políticas internas da UE." Ele disse que estava na hora da UE enviar um sinal claro : "Se isso for verdade, isso não poderá acontecer novamente no futuro".

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