Afastado após alertar sobre covid-19, capitão sai ovacionado de navio americano

Pentágono chegou a anunciar a demissão do militar, mas voltou atrás e informou que punição deve se limitar a uma transferência

Tripulação de porta-aviões americano ovacionou capitão afastado por alertar sobre covid-19
Foto: Rperodução
Tripulação de porta-aviões americano ovacionou capitão afastado por alertar sobre covid-19


Afastado da Marinha dos Estados Unidos depois de pedir a evacuação de marinheiros devido ao registro de casos de covid-19 no porta-aviões Theodore Roosevelt, o capitão Brett Crozier foi ovacionado ao deixar a embarcação, na noite de quinta-feira (02). Um vídeo gravado de dentro do navio mostra a tripulação cantando o nome do capitão enquanto ele desce a rampa.

A Marinha chegou a anunciar a demissão de Crozier, mas voltou atrás após o caso ganhar grande repercussão, e decidiu optar apenas por uma transferência, conforme comunicou o secretário da Marinha do EUA, Thomas Modly, nesta sexta-feira (03).


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A polêmica começou quando uma carta escrita pelo capitão vazou na imprensa norte-americana. O texto falava que mais de 100 tripulantes do porta-aviões Theodores Roosevel haviam sido diagnosticados com covid-19 e que, por isso, era necessária uma evacuação para preservar a vida de todos.  A embarcação está ancorada na ilha de Guam, na Micronésia, no Pacífico, cerca de 2.000 km ao leste das Filipinas.

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"Não estamos em guerra. Os marinheiros não precisam morrer",  diz um trecho do texto, segundo o San Francisco Chronicle."A propagação da doença está em andamento e acelerando",  antes de pedir para que quase toda a tripulação fosse colocada em quarentena, argumentando que seria um "risco desnecessário" se todos permanecerem a bordo.

A divulgação da carta foi condenada pelos superiores da Marinha. “Ele a enviou (a carta) de maneira bastante ampla e não teve o cuidado de garantir que não pudesse vazar, e isso faz parte de sua responsabilidade”, disse Tomas Modly quando se pronunciou pela primeira vez sobre o vazamento. O presidente Donald Trump não se prolongou quando questionado sobre o assunto, mas diss que “não concorda nem um pouco” com a atitude tomada pelo militar.