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Com a hashtag #IranianCulturalSites, usuários de redes sociais divulgaram o patrimônio cultural do país; mais de 30 mil postagens já foram realizadas

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Reprodução
Sítios históricos, como Persepolis, são locais que podem ser atacados pelos EUA

Mais de 2.300 anos atrás, Persépolis foi queimada por um guerreiro estrangeiro. Foi um golpe fatal na capital do Império Persa e em sua rica herança. Agora, as ruínas da cidade antiga, localizadas no sudoeste do atual Irã, podem estar na lista-alvo com os 52 locais que o presidente Donald Trump ameaçou atacar. Desde o assassinato do general iraniano Qassen Soleimani pelos americanos, na semana passada, as tensões entre Washington e Teerã se intensificaram.

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Trump não identificou os lugares que os Estados Unidos poderiam atacar, mas, no sábado, alertou em sua conta no Twitter que mapeara 52 no total — uma referência ao número americanos mantidos como reféns na Embaixada, em Teerã , em 1979, durante a Revolução iraniana.

As declarações beligerantes do presidente americano causaram reações indignadas de autoridades do mundo inteiro, mas também de simples cidadãos apreciadores da História. Desde domingo, a hashtag #IranianCulturalSites reuniu, até o fechamento desta edição, mais de 30 mil publicações divulgando sítios históricos iranianos.

O Irã possui um rico patrimônio cultural reunindo, em seu território, mais de 22 sítios culturais listados pela Unesco, onze a mais do que os Estados Unidos. A título de comparação, o Brasil conta com 14, a França com 39 e a Itália com 50.

Entre os patrimônios do Irã estão as ruínas de Persépolis , o Palácio de Golestão, o Sítio arqueológico de Pasárgada e o Bazar de Tabriz.

Crime de guerra

Entre as antiguidades mais citadas na hashtag #IranianCulturalSites estão as ruínas da cidade de Persépolis, um dos três primeiros sítios iranianos a serem colocados na lista da UNESCO, em 1979. Construída em 518 a.C., a cidade era a capital do Império Aquemênida. Foi conquistada e saqueada por Alexandre, o Grande, em 330 a.C., mas permanece “entre os maiores sítios arqueológicos do mundo” por sua evidência de arquitetura antiga, planejamento urbano e arte, segundo a UNESCO. É “um dos últimos complexos arqueológicos maciços da antiga Pérsia. “Os iranianos e suas instituições culturais fizeram um trabalho fantástico em protegê-lo”, lembrou um dos milhares de usuários no Twitter. 

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Outros sítios importantes são o antigo mercado de Tabriz, o Palácio de Golestão, as ruínas de Tchogha Zanbil e as cidades de Bam, Yazd e Pasárgada (veja lista abaixo).

Desde 1954, os Estados Unidos são signatários de um acordo internacional para proteger a propriedade cultural em conflitos armados. Violá-lo com ataques a locais históricos do Irã representaria uma grande reviravolta e seria considerado um crime de guerra, segundo especialistas.

Os EUA estavam entre os críticos mais severos da destruição de antiguidades pelo Estado Islâmico em Mosul (2015), no Iraque, e em Palmira (2016), na Síria, bem como a destruição dos gigantescos Budas Bamiyan pelos talibãs no Afeganistão, em 2001.

Uma resolução das Nações Unidas, assinada em 1972, prevê que todos os Estados envolvidos em uma guerra não são autorizados a direcionar suas forças direta ou indiretamente contra alvos culturais e naturais.

Após uma reunião com autoridades iranianas, ontem, a diretora-geral da Unesco, Audrey Azoulay, lembrou em um comunicado que uma resolução de 2017, adotada por unanimidade pelos países filiados à organização, prevê condenação por atos de destruição do patrimônio. Em 2016, o Tribunal Penal Internacional havia condenado Ahmad Al Faqi Al Mahdi, membro de uma milícia islâmica, por dirigir ataques a monumentos históricos e religiosos no Mali. 

Alguns dos sítios na lista da Unesco

Ruínas de Persépolis. Construída em 518 a.C., a cidade era a capital do Império Aquemênida. Foi conquistada e saqueada por Alexandre, o Grande, em 330 a.C., mas permanece “entre os maiores sítios arqueológicos do mundo” por sua evidência de arquitetura antiga, planejamento urbano e arte.

Palácio de Golestão. O luxuoso palácio é considerado uma obra-prima por misturar o artesanato e a arquitetura persas de eras anteriores com influências ocidentais. Construído no século XVI, é um dos mais antigos grupos de edifícios de Teerã. Foi renovado no século XVIII, quando a cidade se tornou capital do país. Foi usado para fins administrativos, mas também recreativos e como residência.

Sítio arqueológico de Pasárgada. Fundada por Ciro II, o Grande, no século VI aC., a antiga capital persa reflete o multiculturalismo do Império Persa na época. As ruínas de seu palácio, o paisagismo de seu jardim e o túmulo de Ciro fazem parte do atual sítio arqueológico, e são exemplos notáveis da primeira fase da civilização persa.

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Bazar de Tabriz. Local de intercâmbio cultural desde a antiguidade. Seu histórico complexo de bazares formava um dos centros comerciais mais importantes da Rota da Seda. O local já era próspero e famoso no século XIII e permaneceu relevante como centro comercial até o final do século XVIII, com a expansão do poder otomano. É um dos exemplos mais completos do sistema comercial e cultural tradicional do Irã.