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O envio de tropas turcas será mais um exemplo da agressiva política externa de Erdogan, que já invadiu em 2019 a Síria para afastar curdos da fronteira

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Wikimedia Commons
Soldados turcos em treinamento militar

O Parlamento da Turquia aprovou nesta quinta-feira (2), em sessão extraordinária, o envio de tropas à Líbia para defender o governo do primeiro-ministro Fayez al-Sarraj do assédio liderado pelas milícias do marechal Khalifa Haftar.

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A moção recebeu 325 votos a favor e 184 contra e dá mandato de um ano para o presidente Recep Tayyip Erdogan deslocar soldados para o país africano. A ONG Observatório Sírio para os Direitos Humanos (Sohr) também diz que 1,6 mil milicianos provenientes da Síria estão em campos de treinamento turcos prontos para partir para a Líbia.

Se confirmado, o envio de tropas será mais um exemplo da agressividade na política externa de Erdogan, que em 2019 já invadiu o nordeste da Síria para afastar os curdos da fronteira. Embora também apoie Sarraj, o primeiro-ministro da Itália, Giuseppe Conte, tentou demover o presidente turco do projeto de intervenção na Líbia, mas sem sucesso.

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O temor de Roma é que o recrudescimento do conflito dê novo combustível à crise migratória no Mediterrâneo. A Líbia vive dividida desde a queda de Muammar Kadafi, em 2011, e hoje não existe enquanto Estado unitário.

Sarraj chefia um governo de união nacional reconhecido pela ONU e sediado na capital Trípoli. Já Haftar comanda um conjunto de milícias leal a um parlamento paralelo estabelecido em Tobruk, no leste, e que domina a maior parte do território líbio. No primeiro semestre de 2019, o marechal iniciou uma ofensiva para conquistar Trípoli, a qual diz estar tomada por "terroristas".

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Crítico do Islã político, Haftar é ex-aliado de Kadafi e conta com apoio do Egito e dos Emirados Árabes Unidos, além da simpatia da Rússia e da França.