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Se acusações contra presidente norte-americano forem aprovadas, processo seguirá para o Senado, que terá poder de decisão sobre a cassação

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Agência Brasil
Donald Trump tem processo de impeachment julgado na Câmara dos Estados Unidos


A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos começou nesta quarta-feira (18) a votação da instauração de um processo de impeachment contra o presidente Donald Trump, que é acusado de abuso de poder e obstrução do Congresso. Na primeira votação do dia, os democratas rejeitaram as objeções dos republicanos, permitindo que o debate continuasse. O partido do presidente acusava a oposição de perseguição.

A investigação foi conduzida pela Comissão de Inteligência da Câmara, enquanto a de Justiça elaborou o texto das denúncias contra Donald Trump . A sessão começou por volta de 11h (horário de Brasília), com um debate de cerca de uma hora sobre as regras de votação.


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Por volta de 13h, terá início o debate em plenário sobre as acusações, previsto para durar seis horas. Cada uma das denúncias será votada separadamente, e sua aprovação é dada como certa, já que a oposição democrata tem maioria na Câmara.

Segundo o jornal The New York Times , o partido tem pelo menos 218 votos garantidos, exatamente o que é necessário para instaurar o processo de impeachment - os democratas contam com 233 dos 435 assentos na Casa.

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Se as acusações forem aprovadas, o julgamento acontecerá no Senado, dominado pelo Partido Republicano e onde a condenação dependerá do aval de maioria qualificada de dois terços. Ao contrário do que acontece no Brasil, o presidente permanece no cargo durante o processo.

No cenário atual, é improvável que Trump sofra o impeachment. O Partido Republicano conta com 53 senadores, número mais do que suficiente para evitar a deposição do presidente. "Eles querem me tirar (não estou preocupado) e ainda estão violando a lei de muitas maneiras. Como eles podem fazer isso e ainda remover um presidente muito bem-sucedido e que não fez nada de errado? Esse pessoal é louco", escreveu Trump no Twitter.

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Divulgação
Richard Nixon renunciou antes da conclusão do processo de impeachment, em 1974


Na última terça (17), em carta enviada à presidente da Câmara, Nancy Pelosi, o magnata acusou a oposição de declarar "guerra contra a democracia americana" e promover um "golpe de Estado ilegal". Pelosi definiu a mensagem de Trump como "ridícula".

Acusações

Trump é acusado de ter pressionado o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, a anunciar uma investigação contra Joe Biden, pré-candidato à Casa Branca e cujo filho, Hunter, foi conselheiro de uma empresa ucraniana de gás, a Burisma. Para alcançar seu objetivo, o magnata teria congelado uma ajuda militar de quase US$ 400 milhões a Kiev.

Em um telefonema em 25 de julho, Trump pediu para Zelensky investigar os Biden, mas não mencionou a ajuda militar, que estava bloqueada na época. Já a acusação de obstrução se refere à postura do presidente de instruir membros do governo a não testemunharem no Congresso e não fornecerem documentos oficiais.

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Andrew Johnson: o primeiro presidente norte-americano a enfrentar um processo de impeachment


A Constituição dos EUA estabelece que um presidente pode ser removido do cargo por "traição, propina ou outros crimes e contravenções graves". Essa última tipologia é definida de forma vaga, mas o Congresso costuma levar em conta três tipos de conduta: uso do cargo para obter ganhos financeiros, abuso de poder ou agir de maneira incompatível com a função.

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AP
Bill Clinton consegiu se salvar do impeachment na Câmara


Até hoje, apenas dois presidentes foram submetidos a processos de impeachment: Andrew Johnson (1868) e Bill Clinton (1998), ambos absolvidos - Richard Nixon renunciou em 1974, evitando um afastamento iminente por causa do escândalo "Watergate". Donald Trump entra no meio deste furacão.

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