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Multidão de manifestantes tomou as ruas de Argel, capital do país, pela 37ª sexta-feira consecutiva exigindo uma "nova independência"

Protestos na Argélia arrow-options
Reprodução
Esta é a 37ª sexta-feira consecutiva de protestos no país.

Uma multidão tomou as ruas do centro de Argel , capital da  Argélia  exigindo uma "nova independência" do país no aniversário do início da luta armada pela independência da França. Esta é a 37ª sexta-feira consecutiva dos protestos que sacodem o país desde fevereiro e levaram a renúncia do presidente Abdelaziz Bouteflika .

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A falta de uma contagem oficial e a topografia da região dificultam uma estimativa precisa de quantas pessoas estariam nas ruas da capital, mas a participação é semelhante a vista no auge do Hirak, nome pelo qual o movimento da sociedade civil ficou conhecido. Nos últimos dias, as redes sociais foram dominadas por frases como "Vamos invadir a capital", ou "Hirak 1º de novembro", para convocar os argelinos a seguirem até Argel.

O movimento de hoje é particularmente significativo pois há exatos 65 anos, no dia 1º de novembro de 1954, a então recém-criada Frente de Libertação Nacional (FLN) deu início à Revolução argelina e à luta armada pela independência . O país, na ocasião, era colônia francesa há 132 anos. A data, conhecida como "Festa da Revolução", é celebrada com um feriado nacional.

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Os manifestantes , que tomaram as ruas já no início da manhã, gritavam palavras de ordem como "a Argélia vai retomar sua independência" e o "povo quer sua independência". Forças de segurança foram acionadas para dispersar os protestos e, segundo testemunhas, diversas pessoas foram presas. O sistema de metrô e todos os trens para a cidade tiveram seu funcionamento cancelado em uma tentativa de limitar a participação nos atos.

Há vários dias, "panfletos digitais" circulam nas redes sociais e pedem uma grande manifestação, comparando a data de hoje com 1954. Durante a madrugada, os acessos à capital registravam engarrafamentos consideráveis, atribuídos ao fluxo de manifestantes de diferentes províncias, mas também às muitas barreiras erguidas pela polícia.

Desde o início de abril, quando conseguiu a renúncia do presidente Abdelaziz Buteflika, o "Hirak" exige o desmantelamento do sistema que está no poder desde 1962. Agora, o foco do movimento é a oposição às eleições presidenciais marcadas para o dia 12 de outubro.

O movimento de oposição alega que o pleito é uma tentativa de regenerar a ordem antiga, mantida pelos 20 anos em que Buteflika esteve no poder. Eles demandam que o país faça profundas reformas estruturais antes que novas eleições ocorram e que o governo não as utilize como uma oportunidade de eleger um sucessor.

Na quarta-feira, o general Ahmed Gaïd Salah, comandante do Estado-Maior do Exército e que está no comando do país desde a renúncia de Buteflika, disse que a eleição presidencial tem a "adesão total" dos cidadãos.

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O tom de sua declaração, no entanto, é colocado em xeque pela frequência com que os manifestantes tomam as ruas com palavras de ordem como "Estado Civil, não militar" e "A desobediência civil está a caminho". Principal interlocutor das conversas com os manifestantes, Salah é intransigente na defesa dos “fundamentos do Estado nacional argelino” e avesso a mudanças profundas.