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Presidente da China, Xi Jinping, ameaçou retaliação aos EUA
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Presidente da China, Xi Jinping, ameaçou retaliação aos EUA


A China aproveitou os desfiles de comemoração dos 70 anos da revolução comunista de Mao Tsé-Tung (1949-1976) para exibir seu arsenal militar mais avançado. Mostrou foguetes balísticos intercontinentais DF-41, considerados os mísseis mais poderosos já desenvolvidos, que carregam dez bombas na sua ogiva e podem alcançar o território americano em um voo de 30 minutos. Ostentou também seus drones militares como o Espada Afiada, com autonomia de 50 horas e capacidade de alcançar objetivos militares na África, na Europa e na América do Norte. Com armas potentes, o governo chinês deu uma demonstração de força para os EUA e para o mundo e tratou de enaltecer o pretenso sucesso de sua revolução.

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Deixou absolutamente claro que a China de hoje é a segunda maior potência econômica e militar do mundo. E reafirmou a política autoritária que marcou o País nas últimas sete décadas. No mesmo dia em que o governo mostrava suas armas, manifestantes em Hong Kong que reivindicavam mais democracia e liberdades democráticas eram reprimidos. E é exatamente esse o retrato do País que emergiu da revolução: ao mesmo tempo em que prosperou economicamente, tornou parte integrante da construção do Estado a repressão política.

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Os anos da ditadura de Mao Tsé-Tung instituíram o domínio da força no país e estão entre os mais sangrentos da história da humanidade. A repressão e a fome mataram milhões de pessoas. A fome foi conseqüência da política de Mao chamada de Grande Salto para Frente, criada para acelerar o crescimento chinês. Na prática, a política do regime, que envolvia a coletivização de todas as propriedades, teve graves problemas de planejamento que levaram a uma situação de carestia extrema que matou 45 milhões de pessoas entre 1958 e 1962. Nem sempre a fome era causada pela falta de comida. Usava-se a comida para forçar as pessoas a cumprirem as determinações do partido. No mesmo período da grande fome, pelo menos 3 milhões de pessoas foram executadas ou torturadas até a morte por causa de suas opiniões ou por terem roubado uma batata para comer.

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Desenvolvimento

A prosperidade que se comemora agora só veio depois de Mao, com seu sucessor Deng Xiaoping, que estimulou a economia para a criação de um comunismo de mercado. Xiaoping concentrou suas reformas no aumento da eficiência agrícola, na criação de um ambiente liberal para o setor privado, na modernização da indústria e na abertura da China para o mercado externo. No seu governo se formulou a ideia de uma economia de mercado socialista.

Desde então as taxas de crescimento do país passaram a ser de dois dígitos. Entre 1978 e 2018, o Produto Interno Bruto (PIB) chinês aumentou 42 vezes. Xiaoping, porém, não aliviou com o autoritarismo. A repressão aos divergentes continuou sendo um imperativo do sistema político chinês.

“Nenhuma força pode jamais abalar os pilares da China ou impedir o povo chinês e a nação de marchar em frente”, disse o presidente Xi Jinping, terça-feira 1, dia do aniversário da revolução, no Portal da Paz Celestial, em Pequim. “O país deve continuar o progresso na reunificação completa da Pátria”. Essa última frase é um recado direto para Hong Kong, o principal pólo de questionamento à soberania chinesa.

Em Hong Kong há um esforço para manter um regime mais democrático do que no continente. A população local teme que haja restrições de direitos e mudanças na lei. A crise atual, por exemplo, deflagrada em junho, que causou 180 detenções e deixou mais de 50 feridos, está associada a uma regra que permitirá que ativistas da ilha sejam julgados na China continental. A legislação ainda em vigor impede a extradição de pessoas para o continente. A China evoluiu em todos os campos, mas politicamente continua autoritária e impiedosa. E está cada vez mais bem armada.

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