Retrato de Trump com feição de preocupação
Isac Nóbrega/PR
Trump teria pressionado Ucrânia para investigar Joe Biden

A presidente da Câmara, Nancy Pelosi , sinalizou que pode anunciar ainda nesta terça-feira (24) a abertura de um inquérito formal de impeachment contra o presidente Donald Trump , por causa das denúncias de que ele teria pressionado a Ucrânia para investigar o ex-vice-presidente Joe Biden , um possível adversário nas eleições do ano que vem.

"Por isso disse, mais cedo, que assim que tivéssemos os fatos estaríamos prontos. Agora temos os fatos, estamos prontos", afirmou a democrata durante uma palestra em Washington.

Apesar de não sinalizar diretamente um inquérito, fontes ouvidas pela CNBC e pelo jornal Washington Post dizem que ele deve ser confirmado por volta das 6 da tarde, horário de Brasília.

Pelosi ainda disse que era “ evidente ” que o pedido de Trump violou as regras. "Nós não pedimos a governos estrangeiros que nos ajudem em nossas eleições."

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Na semana passada, o Washington Post revelou que o presidente teria conversado com um líder estrangeiro, inicialmente não identificado, e feito uma “promessa preocupante”. Na mesma semana, o Wall Street Journal  publicou que a Casa Branca teria pressionado de forma intensa o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky , para que investigasse os negócios da família de Biden — pré-candidato democrata à eleição presidencial pelo Partido Democrata — no setor de gás da Ucrânia e suas ligações com um oligarca do setor.

A sugestão era para que Zelensky trabalhasse em com o advogado de Trump, Rudolph Giuliani. O ex-prefeito de Nova York inclusive já admitiu ter falado com autoridades ucranianas para que dessem início ao processo.

Segundo pessoas próximas a Trump, ouvidas pelo Washington Post, o presidente teria, como forma de pressionar Zelensky, atrasou a liberação de ajuda militar de US$ 250 milhões , aprovado pelo Congresso mas bloqueado pela Presidência, por motivos nunca explicados, no fim de agosto. O dinheiro foi liberado semanas depois.

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Trump afirmou, inicialmente, que a denúncia não tinha qualquer base de verdade. Mais tarde, porém, reconheceu ter conversado com Zelensky, no dia 25 de julho , e mencionado Joe Biden , porém, nas palavras dele, sem fazer qualquer tipo de pressão. Nesta terça-feira, ele se comprometeu a liberar na íntegra o conteúdo da conversa com o presidente ucraniano.

Segundo o Wall Street Journal , a investigação supostamente pedida por Trump tem como foco um suposto abuso de autoridade cometido por Biden, que teria exigido a demissão de um promotor ucraniano que investigava uma empresa na qual trabalha seu filho, quando ainda estava na Vice-Presidência. Na época, ele teria ameaçado suspender US$ 1 bilhão em ajuda aos ucranianos caso não fosse atendido, mas negou que a pressão fosse relacionada ao seu filho.

Pressão por denúncia

A denúncia sobre os atos de Trump foi feita por um agente do serviço de inteligência, que estava encarregado de ouvir as conversas do presidente por conta de sua função. Diante do que considerou ser um teor impróprio, ele fez uma queixa através dos canais disponíveis.

O caso subiu de tom quando o corregedor geral da comunidade de inteligência, Michael Atkinson, determinou que a queixa era confiável, e a remeteu para o diretor da Inteligência Nacional, Joseph Maguire , que, por sua vez, deveria enviá-la na íntegra para a Comissão de Inteligência da Câmara, o que não foi feito até agora.

No domingo, a presidente da casa, Nancy Pelosi , chegou a mandar uma carta para que Maguire liberasse o conteúdo da denúncia até quinta-feira, quando ele participa de audiência na Comissão.

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A denúncia potencialmente perigosa para Trump fez com que democratas até então reticentes a defender um processo de impeachment considerassem a ideia. Um deles foi o líder do partido na Comissão de Inteligência da Câmara, Adam Schiff , que afirmou no domingo que, se as denúncias forem confirmadas, “então esse deve ser o único remédio [impeachment] para equalizar o mal que essa conduta representa”.

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