Tamanho do texto

País abandona limitações e pressiona para tentar salvar pacto; Irã agora é capaz de enriquecer mais urânio do que permitido por acordo nuclear

usina nuclear no Irã arrow-options
(Handout/Getty Images
Questão nuclear tem ficado no centro das atenções da política externa do Irã

O Irã anunciou neste sábado que agora é capaz de elevar o enriquecimento de urânio além do nível de 20% graças a dezenas de novas centrífugas avançadas, contrariando compromissos previstos no acordo sobre seu programa nuclear, assinado em 2015.

Leia também: Guaidó seguirá na presidência da Assembleia Nacional da Venezuela em 2020

O presidente do Irã Hassan Rouhani já havia anunciado na terça-feira (3) que o país abandonaria restrições sobre o desenvolvimento de novas centrífugas.

"Começamos a abandonar as limitações à nossa pesquisa impostas pelo acordo. Isso inclui o desenvolvimento de centrífugas mais rápidas e avançadas", disse o porta-voz da agência nuclear iraniana, Behrouz Kamalvandi. "Os países europeus devem saber que não resta muito tempo e, se houver alguma ação a ser tomada (para salvar o acordo nuclear ), isso deve ser feito rapidamente".

O pacto de 2015, assinado por Irã, EUA, França, Reino Unido, Alemanha, Rússia e China, além da União Europeia, estabelece limites às atividades atômicas iranianas, oferecendo em troca o alívio de sanções econômicas. 

O plano funcionou sem problemas até 2017, com a posse de Donald Trump nos EUA. Uma de suas promessas de campanha era retirar o país do acordo nuclear, o que aconteceria em 2018. Logo em seguida, sanções foram retomadas e ampliadas, inclusive sobre as exportações de petróleo.

Desde maio, o Irã começou a voltar atrás em partes do acordo em retaliação à campanha de "pressão máxima" americana. 

Leia também: Dois adolescentes palestinos são mortos por Israel perto da Faixa de Gaza

O país diz que suas medidas são reversíveis se o lado europeu encontrar uma maneira de proteger as exportações de petróleo, vitais para sua economia, das novas sanções americanas. 

O acordo limita o número de máquinas para enriquecimento de urânio no Irã em cerca de 6.000, abaixo das 19.000 anteriores a 2015, e permite usar apenas centrífugas IR-1 de primeira geração. Um pequeno número de centrífugas mais avançadas foram autorizadas exclusivamente para pesquisa, mas sem estocar urânio enriquecido, por um período de 10 anos. 

"Máquinas desenvolvidas por nossos próprios pesquisadores ajudarão a acumular reservas. Isso foi feito na quinta-feira (5) e anunciado nesta sexta à AIEA", disse Kamalvandi, referindo-se ao órgão de controle nuclear da ONU que está monitorando a conformidade com o acordo.  

O acordo também limitava o nível de pureza ao qual o Irã pode enriquecer o hexafluoreto de urânio, a matéria-prima para as centrífugas, em 3,67%, o que é adequado para a geração de energia, mas muito abaixo do limiar de 90 das armas nucleares . O nível de 20% representa um salto significativo nessa direção. 

Leia também: ONU denuncia ‘impunidade’ ante ‘violações’ dos direitos humanos na Nicarágua

"O órgão de vigilância nuclear da ONU foi informado sobre nossos novos passos nucleares e ainda tem acesso às nossas instalações. Atualmente, não pretendemos fazer alterações nas inspeções da AIEA e nossas obrigações de transparência estão sendo cumpridas como antes. Mas quando os outros lados não cumprem seus compromissos, não devem esperar que o Irã cumpra os seus", disse Kamalvandi.