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Celebração nos EUA teve paradas militares, discursos, tanques nas ruas e questionamentos sobre festa; oposição vê como ‘evento de campanha’

Trump
Divulgação/Flickr/Casa Branca
Comemoração do Dia da Independência foi uma das polêmicas

Em uma das mais polêmicas celebrações do Dia da Independência, batizada de “Saudação aos EUA ”, o presidente americano, Donald Trump, fez nessa quinta-feira (4) um discurso de tom nacionalista, com elogios à História e às Forças Armadas do país.

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Ao contrário de tempos recentes — quando os presidentes optaram por participar de cerimônias menores e deixar o público ser o protagonista das celebrações em Washington — o 4 de Julho foi a festa de Trump . Com direito a manifestações contra e brigas entre seguidores e opositores do presidente e críticas da oposição.

Desejo antigo

Festa
Divulgação/Flickr/Casa Branca
Festa contou com shows de fogos de artifício e espetáculo com aviões

Aos pés do Memorial de Lincoln, o presidente dedicou boa parte de seu discurso para falar dos militares e exaltar o poderio bélico dos  EUA . "Nosso país é hoje mais forte do que nunca", disse, reiterando um tema que vem utilizando em eventos de campanha.

Antes do discurso, a multidão acompanhou um desfile das Forças Armadas. Veículos de combate ficaram estacionados perto do Memorial Lincoln. Aviões de combate e o Força Aérea Um, o avião presidencial, cruzaram os céus. O evento foi encerrado com um show de fogos de artifício.

Além do público pelos jardins, cerca de cinco mil pessoas foram acomodadas em uma área próxima ao palco. Os ingressos eram destinados a políticos, militares e suas famílias. Mas alguns foram entregues a doadores do partido Republicano, dando ao evento um ar de campanha.

Pessoas próximas a Trump dizem que a parada militar era um desejo dele havia pelo menos dois anos, quando acompanhou o desfile do Dia da Bastilha, em Paris. Ele queria fazer o evento no Dia dos Veteranos em novembro, mas o plano foi adiado por questões como vetos da prefeitura e dinheiro: a conta seria de até US$ 90 milhões.

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Segundo o The New York Times , o presidente voltou com a ideia a menos de 30 dias do 4 de Julho. Os militares colocaram o evento em sua lista de prioridades, que já inclui a situação no Oriente Médio e a crise na Venezuela.

Funcionários do Departamento de Defesa ouvidos pelo jornal dizem que os gastos poderiam chegar a US$ 1 milhão , sem contar os US$ 2,4 milhões do orçamento do Serviço Nacional de Parques destinados à parada.

‘Saudação a Trump’

4 de julho
Divulgação/Flickr/Casa Branca
Público se dividiu entre aqueles que comemoraram com Trump e aqueles que se manifestaram contra o presidente

O evento passou longe de ser unanimidade. Manifestantes levaram um boneco inflável de um bebê fazendo alusão a Trump — o mesmo usado em Londres quando ele esteve no Reino Unido. No Parque Lafayette, perto da Casa Branca, um grupo queimou a bandeira americana e houve uma briga. Várias pessoas foram detidas.

As críticas também vieram do meio político. O senador Bernie Sanders, que disputa a indicação para disputar a Presidência pelo Partido Democrata, afirmou que o dinheiro deveria ser usado em infraestrutura e habitação, não para colocar tanques nas ruas.

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Outra pré-candidata democrata, a senadora Elizabeth Warren disse que este era um “evento de campanha”, que não deveria ser financiado pelo contribuinte. Trump anunciou, no mês passado, sua candidatura à reeleição.

Um comentarista da CNN , o militar reformado John Kirby, afirmou que a “Saudação aos EUA” não passava de uma “Saudação a Trump ".