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Na última segunda, o grupo paramilitar Forças de Suporte Rápido avançou contra manifestantes que protestavam na sede do Ministério da Defesa

Sudão
Reprodução/Twitter
Número de mortos após protestos na cidade de Cartum, capital do Sudão, seguem crescendo

Quase dois meses após a queda do presidente Omar al Bashir, a crise política no Sudão, um dos maiores países da África, parece longe de uma conclusão.

Ao menos  40 corpos foram encontrados no trecho do Rio Nilo que corta a capital Cartum, aumentando para mais de 100 o número de mortos na repressão aos protestos contra a junta que tomou o poder no Sudão .

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Na última segunda-feira (3), o grupo paramilitar Forças de Suporte Rápido (RSF, na sigla em inglês) avançou contra manifestantes que protestavam na sede do Ministério da Defesa, em Cartum , e provocou um massacre.

Segundo a oposição, dezenas de corpos foram atirados no Nilo . As RSF são lideradas por Mohamed Hamdan Dagalo, conhecido como "Hemedti" e que exerce o cargo de vice-presidente na junta militar que derrubou Bashir .

Essa milícia também é acusada de praticar tortura e estupro em Darfur, região desértica do oeste do Sudão e palco de crimes contra a humanidade e genocídio durante o regime Bashir. O ditador foi deposto em 11 de abril, após quatro meses de protestos de massa contra um regime que vigorou durante 30 anos.

Os manifestantes, no entanto, continuaram nas ruas para exigir a transferência do poder para civis.

O chefe do conselho militar, general Abdel Fattah Burhan, disse nesta quarta-feira (5) que as Forças Armadas estão prontas a retomar as negociações com a oposição civil. "Abrimos os braços para conversar com todas as partes, pelo interesse da nação", declarou.

Os manifestantes , por sua vez, excluem qualquer possibilidade de diálogo enquanto as forças de segurança continuarem reprimindo os protestos. Os generais chegaram a anunciar um acordo, em maio passado, para instaurar um período de transição de três anos.

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Com esse pacto, a aliança de oposição, chamada Forças de Declaração da Liberdade e da Mudança, teria dois terços dos 300 assentos em um futuro parlamento provisório, mas o poder continuaria nas mãos dos militares.

Como os manifestantes continuaram nas ruas, a junta militar decidiu anular o acordo e anunciou que realizará eleições dentro de nove meses. O pleito acontecerá sob coordenação dos generais, que formarão um governo interino.