Líder do Partido Social-Democrata renuncia e põe em risco coalizão na Alemanha

Andrea Nahles anunciou decisão após derrota de nas eleições europeias e ascensão do Partido Verdes

Andrea Nahles renunciou e pode prejudicar coalizção promovida por Angela Merkel na Alemanha
Foto: Reprodução/Facebook
Andrea Nahles renunciou e pode prejudicar coalizção promovida por Angela Merkel na Alemanha


A líder do Partido Social-Democrata (SPD) da Alemanha, Andrea Nahles, anunciou sua renúncia neste domingo (2), após a derrota do partido nas eleições europeias, o que enfraqueceu ainda mais a coalizão de governo de Angela Merkel, cujo partido de centro-direita, a União Democrata Cristã (CDU) também enfrenta dificuldades a poucos meses das eleições regionais. 

Andrea Nahles, da Alemanha , recebeu fortes críticas após o péssimo resultado do SPD nas eleições europeias, quando o partido registrou o mínimo histórico, ao receber apenas 15% dos votos, ficando atrás dos Verdes (20%).

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"As discussões dentro da bancada parlamentar e as muitas reações do partido mostraram que não conto mais com o apoio necessário para exercer minhas funções", afirmou Nahles em um comunicado.

Desta maneira, a primeira mulher a liderar o SPD jogou a toalha dois dias antes de uma votação interna que decidiria seu destino. Além da liderança, Nahles também renunciou ao cargo de deputada. A saída de Nahles — que desde que assumiu o cargo teve que enfrentar as críticas de rivais dentro do partido, que desejavam que o SPD abandonasse a coalizão — pode acelerar a decomposição do Executivo.

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Muitas figuras do SPD defendem o fim da aliança formada com a CDU de Angela Merkel , o que poderia provocar eleições antecipadas e o fim prematuro do governo da chanceler, que tem mandato até 2021. Os social-democratas tinham se programado para tomar uma decisão sobre a questão em setembro, na metade do mandato de Merkel, por ocasião de eleições regionais delicadas em três pontos da antiga Alemanha Oriental. Nestes estados, o partido de extrema-direita AfD espera ter o dobro de votos da CDU.

Voltar à oposição
A coalizão de governo, conhecida como "GroKo" (abreviatura em alemão de "grande coalizão"), formada em 2018 apesar da rejeição de parte do SPD, que enfrentou diversas crises nos últimos meses, parece mais ameaçada do que nunca. A situação é admitida até mesmo por alguns de seus defensores.

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"Aos que comemoram sua saída: é uma grande perda para a política alemã. Nahles defendia a existência da GroKo, cuja estabilidade está agora em questão", lamentou Harald Christ, vice-presidente do fórum econômico do SPD.

A vontade de voltar à oposição ganhou força dentro do partido mais antigo da Alemanha desde o catastrófico resultado nas legislativas de 2017. Um dos pesos pesados da sigla, Olaf Scholz, vice-chanceler e ministro das Finanças, afirmou à imprensa que a "GroKo" não deveria ser repetida depois de 2021, pois "três grandes coalizões consecutivas não beneficiam a democracia alemã".

A CDU expressou preocupação a respeito e afirmou que vai refletir sobre como seria possível manter a atual coalizão. Mas sua líder, Annegret Kramp-Karrenbauer, que substituiu Merkel há um ano à frente da CDU e é considerada uma possível sucessora da chanceler, também enfrenta momentos difíceis após as eleições europeias, vencidas pela CDU, mas com seu menor índice de votos na história das votações para o Parlamento Europeu.

Enquanto isso, o Partido Verde mantém sua ascensão na Alemanha . Uma pesquisa divulgada no sábado mostrou a formação pela primeira vez na liderança das intenções de voto em nível nacional com 27%, à frente da CDU (26%) e do SPD (12%).