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Líder da oposição afirmou que as eleições devem ocorrer logo e que não pretende se candidatar; ele se autodeclarou presidente encarregado do país

Juan Guaidó se autoproclamou presidente da venezuela no último dia 23
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Juan Guaidó se autoproclamou presidente da venezuela no último dia 23

O líder da oposição a Nicolás Maduro na Venezuela, Juan Guaidó, que se declarou presidente interino do país no último dia 23, afirmou nessa terça-feira que espera o apoio do presidente Jair Bolsonaro (PSL) e do líder colombiano Iván Duque para o envio de ajuda humanitária ao país. 

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"No caso de Duque e Bolsonaro, esperamos que, nos próximos dias, ajudem-nos a fazer entrar por nossa fronteira tudo o que possa vir como ajuda humanitária", disse Guaidó, presidente encarregado da Venezuela , em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo

De acordo com ele, o envio de ajuda humanitária já foi solicitado e chegará nos próximos dias. "Segundo o que auditamos, desviou-se US$ 400 milhões (R$ 1,5 bilhão) destinados a esse fim nos últimos anos. Vamos chamar organismos que nos ajudem, como a Caritas, por exemplo", afirmou.

Guaidó se declarou presidente encarregado alguns dias depois de Maduro tomar posse de seu segundo mandato, que duraria até 2025. O opositor, que comanda a Assembleia Nacional, foi reconhecido presidente por países como Brasil e Estados Unidos. 

Na entrevista, ele também afirmou que não tem dúvidas que as eleições ocorram logo no país, mas não pretende se candidatar. "Não tenho tempo ou outra prioridade que liderar o caminho para a realização da transição. Não quero que me vejam como libertador, e sim como um servidor", disse. 

Guaidó ainda declarou que pretende organizar eleições democráticas e transparentes no país, em algumas fases: "Primeiro, terminar com a usurpação do poder em todas as instâncias, incluindo o CNE. Nessa terça, discutimos na Assembleia o Estatuto da Transição. Este inclui a configuração, com novas nomeações, de um Conselho Nacional Eleitoral que respeite a Constituição, que promova a confiança no voto com regras claras e observação internacional", defendeu. 

Recentemente, o presidente encarregado sugeriu conceder anistia a Maduro em troca do comando do país, mas o projeto recebeu críticas de organismos de direitos humanos por deixar que o ditador saia impune de crimes como tortura, prisões políticas e corrupção. 

O líder da oposição, por sua vez, abriu uma consulta pública para a lei de anistia e está se reunindo com familiares de vítimas do regime de Maduro. "Consultamos opiniões de especialistas em direitos humanos, em luta contra a corrupção e de diversos ramos do direito", ressaltou. 

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Juan Guaidó ainda disse que deseja uma visita da alta comissária dos direitos humanos da ONU, Michelle Bachelet, para que ela se certifique da situação da Venezuela . "Assim, estamos buscando o balanço justo que nos levará ao que eu digo que será uma anistia sem impunidade", completou. 




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