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Estudo mostra que 'ameaça' denunciada pela embaixada dos Estados Unidos contra Cuba pode ter sido, na realidade, alguns grilos em pleno acasalamento

Embaixada dos EUA em Cuba pode ter confundido sons de grilos em acasalamento com 'ataque sônico', revela novo estudo
Divulgação/ U.S. Embassy in Cuba
Embaixada dos EUA em Cuba pode ter confundido sons de grilos em acasalamento com 'ataque sônico', revela novo estudo

Em 2017, a embaixada dos Estados Unidos em Cuba denunciou a ocorrência de um ‘ataque sônico’, ordenando que parte de seus diplomatas se retirasse da região, e expulsando diplomatas cubanos de Washington, o que elevou as tensões já existentes entre os dois países. No entanto, o que ninguém esperava é que, quase dois anos após tal denúncia, fosse revelado que o referido ‘ataque’, na verdade, pode ter sido só o som de grilos que estavam na região.

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Um estudo realizado pelos professores Fernando Montealegre-Zapata, da Universidade de Lincoln, e Alexander Stubbs, da Universidade da Califórnia, publicado nesta segunda-feira (7), revelou que um som misterioso divulgado pela Associated Press (AP) se trata do canto de grilos antilhanos da espécie Anurogryllus celerinictus.

Segundo a conclusão do estudo, o canto do grilo de cauda curta das Índias coincide com a gravação feita pelos diplomatas americanos em diversos aspectos. “Isso fornece fortes evidências de que o eco de um canto de grilo, mais que um ataque sônico ou outro artefato tecnológico, seja o responsável pelo som da gravação divulgada, na época”.

O som produzido pelos grilos machos quando esfregam suas asas a fim de ‘seduzir’ as fêmeas, é emitido a uma frequência elevada que pode incomodar os ouvidos humanos que ainda não estão acostumados ao barulho.  

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Desde o início, o Departamento de Estado dos EUA definiu os ruídos como pertencentes a um ‘ataque sônico’ que teria sido produzido por sofisticadas armas capazes de emitir sons ou micro-ondas. Porém a dúvida sobre a verdadeira origem do barulho moveu cientistas a compararem a gravação do ‘ataque sônico’ com os sons produzidos pelos grilos.

Apesar dos resultados obtidos, ainda há uma ‘ponta solta’ não explicada na história, que instiga os cientistas. Afinal, denunciado em 2017, o tal 'ataque' começou mais cedo e, já em 2016, os diplomatas relataram sintomas de vertigem, confusão mental, surdez parcial, zumbidos e problemas cognitivos.

Tais sintomas foram, mais tarde, associados à exposição a tais ruídos sônicos. Porém, se os sons foram produzidos por grilos, o que pode ter ocasionado os sintomas?

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Os estudiosos ainda não sabem a resposta e, por isso, não descartam a possibilidade de um ataque. Apesar disso, Stubbs afirmou crente ao The New York Times que os sons podem ter vindo dos grilos e que “é totalmente possível que os diplomatas tenham adoecido por outra coisa em nada relacionada com isso”.

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