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Juan Carlos, chileno que, na infância, foi abusado por padre, se encontrou com o papa Francisco, que pediu desculpas em nome da Igreja; sobre ele ser gay, o papa disse que “Deus o fez assim, o ama assim e a mim não importa”

Papa Francisco
Reprodução/Twitter
Papa Francisco

Juan Carlos Cruz, um dos chilenos que, na infância, sofreu abuso sexua l por parte de um padre e que recentemente foi um dos denunciadores que revelou a rede de silêncio entre os bispos, que encobriam casos de pedofilia nas igrejas do país, foi recebido no Vaticano pelo papa Francisco .

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O pontífice lhe pediu desculpas em nome da Igreja, e, quanto ao fato de Juan Carlos ser homossexual , disse que foi Deus quem o fez assim, que “Ele o ama assim e a mim não importa”. Os comentários do papa, relatados por Carlos ao jornal El País , foram celebrados por ativistas dos direitos LGBT .

“Haviam dito a ele [papa Francisco] que eu era praticamente um pervertido. Expliquei que não sou a reencarnação de São Luis Gonzaga, mas também não sou uma pessoa má. Tento não fazer mal a ninguém. Ele então me disse ‘Juan Carlos, você ser gay não importa. Deus te fez assim, te ama assim e a mim não importa”, contou o chileno.

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Bispos chilenos renunciam

Como consequência das denúncias de pedofilia e acobertamento por parte da Igreja, a alta cúpula do episcopado chileno remeteu um pedido de renúncia ao  papa Francisco. Trinta e quatro bispos tomaram a decisão após serem apontados como omissos pelo Vaticano frente ao escândalo de pedofilia envolvendo padres e bispos no país.

As acusações de pedofilia praticadas por membros da Igreja no Chile vieram à tona em 2004. As autoridades eclesiásticas do país não teriam se movido frente às denúncias de inúmeras vítimas – só em 2011 um único padre foi punido pelos casos. 

O escândalo ganhou outro patamar quando da visita de Francisco ao país, em janeiro. Na época, igrejas foram atacadas e pichadas, em protestos que buscavam chamar a atenção para a negligência dos bispos. 

papa  , que num primeiro momento diminuiu as denúncias, classificando-as de “calúnias”, se arrependeu e chegou a se reunir com as vítimas. Após o encontro, convocou os bispos a irem a Roma. 

Em seu comunicado ao papa, os bispos pediram desculpas “pela dor causada às vítimas, ao papa, aos povos de Deus e ao país por nossos graves erros e omissões”. Eles também colocaram os cargos à disposição da Igreja e pediram que Francisco “livremente decida o que fazer com cada um de nós”.

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