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Vice de Jacob Zuma, que renunciou na quarta-feira (14), novo presidente da África do Sul foi candidato único em eleição indireta no parlamento

Cyril Ramaphosa, eleito novo presidente da África do Sul
Reprodução/Facebook
Cyril Ramaphosa, eleito novo presidente da África do Sul

Um dia depois da renúncia de Jacob Zuma à Presidencia da África do Sul, o país já definiu quem será seu novo mandatário. Cyril Ramaphosa, que era vice-presidente de Zuma, foi escolhido para o cargo nesta quinta-feira (15) pelo Parlamento sul-africano em eleição indireta.

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O novo presidente era o único candidato ao cargo, pois a oposição, que queria novas eleições diretas, resolveu boicotar a votação parlamentar. Como o partido de Ramaphosa é maioria, contudo, os votos de seus congressistas foram o suficiente para conduzi-lo à cadeira presidencial.

Ramaphosa, 65, é do mesmo partido de Zuma, o Congresso Nacional Africano (ANC, na sigla em inglês). Fundada por Nelson Mandela, a legenda é famosa no país por sua luta contra o apartheid, o regime segregacionista e racista que operou por décadas no país.

Rico empresário e veterano da luta contra o regime segregacionista, nos anos 1980 ele liderou o poderoso sindicato dos mineradores, que desafiou e venceu o apartheid.

A escolha do novo líder sul-africano se dá no mesmo dia em que a polícia conduz operações contra a família Gupta, uma das mais ricas e poderosas do país. Um dos escândalos que levou Zuma a renunciar foi a denúncia de que ele e seus familiares teriam recebido propina dos Gupta.

A queda de Zuma

Zuma, 75 anos, foi eleito presidente em 2009. Ele foi o quarto presidente sul-africano depois do fim do apartheid, regime que confinava os negros a um papel subalterno na sociedade da África do Sul.

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Nos últimos anos, ele, que foi companheiro de cela de Mandela nos anos da repressão ao ANC, viu seu nome envolvido em dezenas de acusações de corrupção. Isolado politicamente, perdeu apoio do próprio partido, sendo forçado a renunciar à Presidência.

O presidente está implicado em uma série de denúncias, inclusive por supostamente ter usado dinheiro público para reformar sua mansão e por ter nomeado ministros para favorecer ilicitamente empresas no governo. Além disso, é suspeito de ter recebido suborno em 1999 de empresas fabricantes de armas, quando era vice-presidente do país.

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