Michel Temer foi o primeiro a assinar o texto contra armas nucleares, seguido por dezenas de líderes
Divulgação/Palácio do Planalto
Michel Temer foi o primeiro a assinar o texto contra armas nucleares, seguido por dezenas de líderes

O presidente da República, Michel Temer, assinou, nesta quarta-feira (20) em Nova York, o Tratado para Proibição de Armas Nucleares. O documento foi assinado por 42 líderes de Estado e, ao longo do dia, outros oito países devem firmar o acordo.

Leia também: Na ONU, Trump ameaça destruir Coreia do Norte e critica socialistas e comunistas

O pacto impede que os países envolvidos desenvolvam, testem, produzam, adquiram, tenham ou estoquem armas nucleares ou qualquer outro dispositivo nuclear explosivo.

O texto do tratado foi acordado no último dia 7 de julho e a conferência desta quarta-feira – proposta pelo Brasil, África do Sul, Áustria, Irlanda, México e Nigéria no fim de 2016 – é a segunda etapa do acordo. 

Esss é apenas o primeiro dia para tais assinaturas, que podem ser recolhidas por outros países a partir de agora. Temer foi o primeiro a assinar o documento. 

Na terceira etapa do pacto, será necessário que cada país que tenha assinado o texto faça a ratificação. Assim, o acordo só passa a valer depois que os 50 países tiverem passado por todo o processo.

Em respeito ao tratado, o embaixador Sergio Duarte, ex-alto representante da ONU para Assuntos de Desarmamento e atual presidente da Organização Internacional sobre Relações Internacionais Pugwash, afirmou que o tratado proíbe agora a última categoria de arma de destruição em massa que ainda não estava proibida.

Leia também: Em discurso de estreia na ONU, Trump critica 'burocracia' da organização

“Armas químicas e armas biológicas já estão proibidas por tratados internacionais. Esse documento cuida da terceira e última categoria: a nuclear, que é a mais cruel e a mais indiscriminada de todas as três”, disse.

Você viu?

Em todo o mundo, as armas biológicas foram proibidas em 1972, e as químicas em 1993.

Para o professor da Universidade Federal do Pampa, Cristian Wittmann, apesar da ausência das potências nucleares (como Coreia do Norte e Irã) na negociação do tratado, o documento segue sendo eficaz.

“Em primeiro lugar, ele retoma o debate sobre a importância da eliminação das armas nucleares, aumentando a pressão nos países nuclearmente armados. Ele também traz novos aspectos quanto ao financiamento dessas armas e atividades militares conjuntas que possam envolver armamento nuclear”, afirma.

Para o ministro das Relações Exteriores da Áustria, Sebastian Kurz, apesar de muitos argumentarem que o armamento nuclear é indispensável para a segurança nacional, essa ideia é falsa. “O novo tratado oferece uma alternativa real para a segurança: um mundo sem arma nuclear, em que todos estarão mais seguros, onde ninguém precisa ter arma nuclear”.

Hiroshima e Nagasaki

Durante o discurso para assinatura do tratado, o secretário-geral da Organização das Nações Unidas, António Guterres, lembrou as vítimas de Hiroshima e Nagasaki.

O sobrevivente do bombardeio nuclear de Nagasaki em 1945, Terumi Tanaka, afirmou que se sente muito feliz e sentiu vontade de chorar ao ver o tratado ser assinado, pois vem trabalhando nisso há mais de 70 anos. Ele tinha 13 anos quando tudo aconteceu e diz que se lembra muito bem do dia.

Leia também: Em Assembleia da ONU, Temer diz que "novo Brasil" está surgindo das reformas

"Uma das minhas memórias mais fortes é das pessoas queimadas debaixo das casas, por toda parte, e não só pessoas queimadas, mas também o fato de elas terem sido deixadas sozinhas, ninguém foi fazer nada para ajudá-las. Em um dia, mais de 10 mil pessoas morreram", diz o sobrevivente do bombardeio com armas nucleares.

* Com informações da Agência Brasil.

    Veja Também

    Mais Recentes

      Comentários