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País chega a registrar até 50 mil venezuelanos que cruzam a fronteira diariamente, em bate e volta. Presidente já encaminhou equipe para a Turquia para que possam aprender a gestão de campos de refugiados

Presidente da Colômbia enviou autoridades para a Turquia, a fim de aprender sobre gestão de refugiados
Reprodução/Wikipedia
Presidente da Colômbia enviou autoridades para a Turquia, a fim de aprender sobre gestão de refugiados

Quando o Governo Nacional e as organizações humanitárias da Colômbia descrevem o fluxo de venezuelanos que ingressam no país pela fronteira, chamam-no de “gota a gota”: em alguns dias, é possível contabilizar até 50 mil cidadãos da Venezuela em território colombiano. As informações são do portal “El Colombiano”.

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Situações como a da eleição da Assembleia Nacional Constituinte na Venezuela são determinantes para o fluxo de venezuelanos, porém, aqueles que cruzam a fronteira dos países, pela Ponte Internacional Simón Bolívar, geralmente costumam retornar, já que estão em busca de abastecer-se de produtos e combustível. Dessa forma, as autoridades da Colômbia , que fazem a segurança da fronteira, consideram que a situação está sob controle.

Porém, se a situação “gota a gota” for convertida em uma avalanche – por qualquer que seja a decisão política ou econômica do governo de Nicolás Maduro – as autoridades colombianas afirmam já ter uma “carta na manga”: estão pensando em construir campos de refugiados para venezuelanos na fronteira entre os países vizinhos.

O responsável pelo plano de contingência é Juan Carlos Restrepo, conselheiro de Segurança da Presidência, que conversou com o “El Colombiano”. Segundo ele, o presidente Juan Manuel Santos lhe passou o encargo, junto da Chancelaria, para que assegurem que, diante de uma eventual crise imigratória, o país possa oferecer e ter “tudo o que se faz necessário” nesse cenário.

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“Temos uma logística pronta, sabemos como deverá ser realizada, como irá ser administrada”, revelou Restrepo. “Sabemos o que é requerido [para tanto] e, assim, estaremos preparados para recorrer a essa opção”, continuou, sem acrescentar detalhes.

Exemplo da Turquia

Entre os dias 7 e 14 de maio deste ano, Restrepo e outros representantes do governo colombiano visitaram campos de refugiados na Turquia , país que já recebeu mais de três milhões de refugiados sírios em seis anos de conflito. “O governo estava interessado em saber o que é feito na Turquia para abrir suas portas aos sírios, de forma irrestrita e efetiva, e avaliar como é realizada a gestão disso”, afirmou a Embaixada da Turquia ao mesmo portal. Além disso, a embaixada afirmou que o governo turco levantou, até agora, 10 campos de refugiados e que estaria disponível a auxiliar Juan Manuel Santos com o assunto.

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Dentro do aprendizado na Turquia, as autoridades destacam, com ênfase, a rastreabilidade rigorosa em relação aos imigrantes, isto é, reúnem-se informações sobre cada uma das pessoas que chegam ao país: sua localização, suas necessidades e suas condições, para que, desse modo, o governo possa se preparar para atendê-los dentro de suas capacidades.

A única ressalva é que, no caso da Colômbia, haveria um grau de dificuldade maior, já que parte da migração de venezuelanos ocorre por trilhas e estradas diversas. No entanto, o que a Colômbia pode tirar da experiência turca tem relação aos regulamentos para facilitar a ação das agências estatais: "Isso seria importante, por exemplo, é necessário que a Unidade Nacional de Gerenciamento de Riscos possa agir em certos casos sem ter que declarar a calamidade pública, que é um evento extremo”, explicou Restrepo, antecipando que já estão trabalhando nisso.