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Após os incidentes envolvendo neonazistas e supremacistas na cidade de Charlottesville, na Virgína, empresas reagem para barrá-los das plataformas

Neonazistas e supremacistas desfilam em cidade norte-americana no sábado, 12 de agosto
Reprodução/Twitter
Neonazistas e supremacistas desfilam em cidade norte-americana no sábado, 12 de agosto

Os aplicativos de encontros são parte do cotidiano de milhões de solteiros no mundo contemporâneo, em qualquer lugar do mundo. Porém, nos Estados Unidos, aqueles homens que são simpatizantes do neonazismo, da ideia da supremacia branca ou que seguem grupos militantes de ódio terão mais dificuldades em encontrar uma companheira pelos apps “Ok Cupid” e “Bumble”. Isso porque estão sendo expulsos após os incidentes de Charlottesville, em que uma mulher foi morta por um neonazista.

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As cenas de intolerância vividas nessa cidade do estado da Virgínia, há duas semanas, mostraram ao país que os supremacistas (neonazistas, racistas, antissemitas) não estão apenas resumidos a grupos de homens adultos, da região rural, sem estudos. Mas também se encontram entre os universitários, jovens, consumidores de marcas caras e produtos da melhor qualidade. Ou seja: estão entre os usuários de aplicativos de encontros e das tecnologias mais modernas.

Depois do dia 12 de agosto, os Estados Unidos revelaram o perfil dos apelidados “supremacistas do milênio”, que são homens entre 17 e 37 anos, muito semelhantes a qualquer outra pessoa de sua idade, que faz parte de sua geração. Contudo, esses jovens adultos trazem versões “atualizadas” de ideologias responsáveis pelos momentos mais sangrentos e obscuros da História mundial, como o nazismo e o fascismo.

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No evento de Charlottesville, os novos integrantes de grupos de ódio exibiram, sem vergonha alguma, tochas e cânticos nazistas, revelando a intolerância que muitas vezes é reprimida no dia a dia – mas, nem tanto, pelas redes sociais. O grande problema é que essa geração utiliza o celular para resolver todos os aspectos de sua vida, inclusive seus relacionamentos interpessoais. Pensando nisso, os aplicativos “ Ok Cupid ” e “ Bumble ” deliberaram retirar usuários que sejam simpatizantes de ideias da ultradireita no país.

Com a decisão, uma reflexão social foi levantada: afinal, isolando os racistas e preconceituosos, a pergunta que fica é se é possível, para esses jovens, que vivam sem amor (ou sexo) encontrados via apps? Vale destacar que o “Ok Cupid” é uma das plataformas de encontros mais populares dos Estados Unidos – e ela anunciou, com orgulho, no dia 17 de agosto, que tinha expulsado o supremacista Christopher Cantwell.

“Não há espaço para o ódio em um lugar onde você está buscando amor”, defendeu a empresa, que pediu aos usuários para que alertassem assim que encontrarem perfis de pessoas “envolvidas em grupos de ódio”.

O caso de Cantwell

Christiopher Cantwell foi reconhecido por uma usuária do aplicativo depois de seu rosto aparecer em uma reportagem do “Vice News” sobre a violência na cidade de Charlottesville. Ela, então, denunciou o perfil à administração do “OK Cupid”, já que o rapaz havia entrado em contato com ela recentemente.

Christiopher Cantwell se transformou em um dos símbolos do ódio racista nos Estados Unidos
Reprodução/Departamento da polícia da Virgínia
Christiopher Cantwell se transformou em um dos símbolos do ódio racista nos Estados Unidos

Ele ficou famoso após suas declarações acerca do neonazista que atropelou diversos manifestantes antifascistas, matando uma mulher e ferindo outras 19 pessoas. Cantwell se transformou em um dos símbolos do ódio racista nos Estados Unidos, sendo retratado não só pela “Vice News”, como também por veículos grandes do país, como a “CNN”, que reprisaram suas declarações polêmicas – entre elas a de que “não entendia como o presidente Donald Trump podia ter dado a mão de sua filha, Ivanka, a um judeu [seu marido, Jared Kushner]”.

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Sobre Cantwell, além do posicionamento racista exposto aos veículos de comunicação do país, também havia uma ordem de detenção do FBI pelo uso ilegal de gás lacrimogêneo nas marchas de Charlottesville, então ele acabou se entregando de maneira espontânea às autoridades.  Apesar disso, ao acessar de rastro digital, é possível encontrar sua militância de ódio nas redes sociais. Inclusive, em seu site pessoal, escreveu vários textos sobre “estratégias para encontrar alguém no ‘Ok Cupid’”.

Após Charlottesville, nem Cantwell nem outros racistas como ele poderão usar mais os seus perfis em Facebook, Instagram, Google (e Youtube), Ok Cupid e Bumble. Outros aplicativos de encontros como o “Tinder” e o “Match” – que pertencem ao Match Group, o mesmo do “Ok Cupid” – ainda não se pronunciaram a respeito, todavia, como muitos comentavam estes dias nas redes sociais, com atitudes tão ofensivas como as que Cantwell exibiu, estes rapazes vão ter muito trabalho para encontrar uma namorada daqui para a frente.