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A derrubada de monumentos aos confederados gerou o movimento de supremacistas e neonazistas no país; protestos mataram três pessoas

Em declaração sobre confronto, Donald Trump criticou tantos supremacistas quanto antifascistas
White House/Reprodução
Em declaração sobre confronto, Donald Trump criticou tantos supremacistas quanto antifascistas

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, lamentou nesta quinta-feira (17) a retirada de monumentos que homenageiam os confederados, classificando o fato como “triste” e “absurdo”. A mensagem do republicano acontece dias depois de um protesto de supremacistas brancos e neonazistas na cidade de Charlottesville, na Virgínia, que teria sido motivado exatamente por causa da retirada da estátua do coronel confederado Robert E. Lee. As informações são da "CNN".

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“Triste ver a história e cultura de nosso grande país sendo colocadas de lado com a retirada de nossas lindas estátuas e belos monumentos”, disse Donald Trump em uma série de tuítes hoje. “Você não pode mudar a história, mas pode aprender com ela”.

As mensagens no Twitter do presidente acontecem em meio às críticas acerca de seu ‘silêncio’ em relação aos movimentos de extrema-direita no país, uma vez que ele apenas se pronunciou, na última terça-feira, condenando “os dois lados” dos protestos de Charlottesville, sendo que um dos grupos estava manifestando contra os supremacistas e as ideias preconceituosas e racistas. Além disso, o republicano afirmou que existiam “muitas boas pessoas” entre os manifestantes, que reclamaram a retirada da estátua de Robert E. Lee.

Ecoando os comentários feitos na terça, Trump tuitou ontem que a retirada de estátuas dos confederados poderia levar ao recolhimento de monumentos dos “pais fundadores dos Estados Unidos”.

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“Robert E. Lee, Stonewall Jackson - quem será o próximo, Washington, Jefferson? Tão absurdo!”, escreveu. “Também a beleza está sendo tirada de nossas cidades e nossos parques, sendo muito desperdiçada e nunca mais poderemos substituí-la à altura!”, defendeu.

A decisão de Trump de se colocar ao lado daqueles que se opõem à remoção de monumentos confederados – mesmo depois de isso ter causado os protestos dos extremistas de direita, em que três pessoas morreram – sinaliza que ele realmente acredita estar reagindo de maneira adequada para conseguir reforçar sua posição aos olhos de seus apoiadores. O presidente enfrenta avaliações de baixa aprovação há meses.

As estátuas e os supremacistas

A tensão envolvendo as estátuas começou quando a estátua de Lee, em Charlottesville, foi derrubada – gerando os protestos violentos no sábado (12). Isso acabou gerando uma movimentação em diversos lugares do país: ao mesmo tempo, um grupo derrubou um monumento dedicado aos soldados confederados em Durham, na Carolina do Norte, enquanto outros vândalos atacaram um monumento de homenagem às vítimas do Holocausto, em Boston.

A derrubada da estátua na Carolina do Norte aconteceu durante um protesto contra a presença de monumentos que homenageiam a Confederação norte-americana, vigente no sul do país de 1861 a 1865. Os confederados eram contrários à abolição da escravatura nos Estados Unidos e, por isso, se colocaram contra os estados do Norte, que eram favoráveis.

Inclusive, a manifestação em Durham foi convocada inicialmente para pedir a retirada de todos os símbolos confederados que restam no estado da Carolina do Norte, “para que não matem mais pessoas inocentes”.

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Enquanto isso, Donald Trump se volta contra aqueles que o criticaram na manhã de quinta-feira, ao atacar, mais uma vez, os meios de comunicação e o senador republicano Lindsey Graham, da Carolina do Sul, que repreendeu o presidente por expressar uma "equivalência moral" entre os supremacistas brancos e aqueles que saíram às ruas para combater a manifestação racista e antissemita.

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