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Em véspera da eleição para nova Assembleia Constituinte, o clima nas ruas do país é tenso após mais uma morte ter ocorrido na noite desta sexta-feira

Muitos cidadãos têm estocado alimentos devido à severa crise econômica sofrida pela Venezuela há dois anos
Reprodução/Twitter
Muitos cidadãos têm estocado alimentos devido à severa crise econômica sofrida pela Venezuela há dois anos

As eleições para a nova Assembleia Constituinte da Venezuela acontecem neste domingo (30) e o clima está a cada dia mais tenso. Nesta sexta-feira (29), um jovem de 18 anos morreu após ser atingido por um tiro em uma manifestação na cidade de San Cristóbal, a oeste do país, que já conta com 109 mortos em apenas quatro meses. 

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"Gustavo Villamizar recebeu um tiro quando se encontrava em uma manifestação nas imediações do Liceu Alberto Adriani", informou na sua conta do Twitter a Promotoria Geral da Venezuela , ao anunciar uma investigação sobre o caso.

Várias pessoas morreram em todo o país em episódios violentos e confrontos entre manifestantes e forças de segurança nos últimos dias, especialmente durante a greve geral de 48 horas convocada pela oposição e vários setores sociais para exigir do governo o cancelamento da eleição da Assembleia Constituinte prevista para este domingo.

Segundo a presidente do Conselho Nacional Eleitoral, Tibisay Lucena, foram registrados "fatos de violência focalizada" em 53 dos 335 municípios do país, em uma onda de protestos iniciada em 1º de abril. Além das 109 mortes, somam-se centenas de feridos e quase 5 mil presos.

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Para conter protestos, que foram proibidos oficialmente pelo presidente Nicolás Maduro nesta sexta, mais de 200 mil homens das Forças Armadas estarão nas ruas desde cedo. O governo afirmou que os militares deverão "garantir a continuidade do processo" e que responderão a qualquer ameaça fazendo "uso proporcional da força."

"Propaganda eleitoral"

O governo tem investido na propaganda para a participação da população nas eleições de amanhã. A emissora estatal "VTV" dedica toda a sua programação para instigar os venezuelanos a participarem da escolha dos representantes da Assembleia Constituinte, um processo que, segundo a procuradora-geral Luisa Ortega Díaz é rejeitada por 90% dos cidadãos.

Por outro lado, a oposição convoca a população a levantar barricadas, clamando uma greve geral de 48 horas contra a Constituinte, iniciada na última quarta-feira (26). O processo é visto como uma tentativa do governo para "consolidar uma ditadura."

Os opositores de Nicolás Maduro acertam os últimos detalhes para as ações que serão realizadas amanhã, quando pretendem tomar as principais avenidas da Venezuela para expressar repúdio à Constituinte, que terá participação apenas de chavistas.

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O temor da população é de que a Assembleia Nacional Constituinte traz um poder ilimitado ao governo de Maduro. Muitas pessoas têm estocado alimentos devido à severa crise econômica sofrida pela Venezuela há dois anos. O dia começou sem protestos na rua e à espera de pronunciamentos que, na grande maioria, serão de órgãos ligados ao governo.

*Com informações da Agência Brasil

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