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Meses após a derrota na corrida eleitoral, a ex-candidata democrata falou sobre o tema à rede de TV "CNN". Ela relembra fatores externos negativos

Hillary Clinton ainda prometeu usar sua voz para ajudar os democratas e afirmou que irá manifestar contra Trump
Reprodução/ YouTube
Hillary Clinton ainda prometeu usar sua voz para ajudar os democratas e afirmou que irá manifestar contra Trump

Meses após sair derrotada da corrida eleitoral norte-americana, Hillary Clinton afirmou, nesta terça-feira (2), que “assume a responsabilidade” para a vitória do candidato republicano Donald Trump nas eleições de 2016. Porém, a ex-candidata também aponta a influência negativa da carta do diretor do FBI, James Comey, em que se refere à investigação dos e-mails da democrata, divulgada pouco antes das eleições; ela também responsabiliza a interferência russa.

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De acordo com Hillary Clinton , tais fatores externos privaram-na da vitória. “Eu tomo a responsabilidade pessoal de forma absoluta”, afirmou à jornalista Christiane Amanpour da rede de TV “CNN”, em Nova York. “Eu era a candidata, eu era o nome que estava nas urnas. Estou muito consciente dos desafios, dos problemas, dos défices que tivemos”, acrescentou.

Na entrevista, a ex-secretária de Estado relembrou que estava concorrendo às eleições com a possibilidade de se tornar a primeira presidente do país, quando uma série de obstáculos alterou o andamento da corrida presidencial. “Não foi uma campanha perfeita. Não existe isso. Mas estava no caminho da vitória, antes da combinação da carta de Jim Comey, em 28 de outubro, e o WikiLeaks russo que trouxe dúvidas nas cabeças das pessoas, que estavam inclinadas a votar em mim, mas ficaram com medo”, defende.

A carta citada por Hillary se refere à decisão de divulgar, apenas 11 dias antes das eleições, que o FBI estava revendo os e-mails recém-descobertos em relação à investigação sobre o uso de um servidor de e-mail privado por Clinton, para fins públicos, enquanto estava à frente do Departamento de Estado. Poucos dias depois, Comey concluiu que os e-mails eram, em sua maioria, pessoais ou duplicatas daquilo que o governo já havia examinado anteriormente.

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Logo após o vazamento dessas informações, o governo dos EUA considerou que a Rússia foi responsável pela pirataria e subsequente liberação desses e-mails no site WikiLeaks, como parte de um amplo esforço pelo Kremlin para impulsionar a candidatura de Trump.  

O papel da Rússia na eleição e potenciais contatos entre seus agentes e a campanha de Donald Trump são, agora, objeto de uma investigação do FBI e de duas investigações paralelas pelos comitês de inteligência do Senado e da Câmara.

“A evidência desta intervenção é, eu penso, evidente. E, por isso, nós superamos muito na campanha. Nós superamos uma enorme barragem de negatividade, de falsa equivalência, e muito mais”, defendeu ela. “E como Nate Silver havia concluído: se as eleições acontecessem no dia 27 de outubro, eu poderia ser a presidente hoje”, completou.

Misoginia

Um dos temas abordados na entrevista da política à jornalista norte-americana foi a misoginia. Questionada se esse fator teria interferido na corrida eleitoral, Hillary afirmou que sim. “Realmente acredito que [a misoginia] desempenhou um papel. Acho que outras coisas também”. Ainda segundo ela, essa é uma questão delicada, parte da paisagem política, social e econômica.

Nesse momento, Amanpour chegou a comentar que Trump provavelmente comentaria a entrevista em sua conta no Twitter, mas Clinton respondeu prontamente. “Se ele quiser tuitar sobre mim, então ficarei feliz por ser sua diversão”, disse ela. “Temos muitas outras coisas para nos preocupar. E ele deve se preocupar menos com a eleição e mais com tantas questões que são importantes para o país”.

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Hillary Clinton ainda prometeu usar sua voz para ajudar os democratas, e afirmou que irá manifestar contra as ações do governo Trump, que considerar prejudiciais. “Voltei a ser uma cidadã ativista e parte da resistência”, disse ela.

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