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Presidente da Rússia disse que não iria responder a sanções de Obama com "diplomacia irresponsável"; ministro havia sugerido expulsão de diplomatas

Obama diz que houve
The Presidential Press and Information Office - 05.09.2016
Obama diz que houve "repetidos avisos" ao governo da Rússia, que teria feito "esforços para prejudicar interesses dos EUA"

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, anunciou nesta sexta-feira (30) que não vai expulsar diplomatas americanos do país. A informação foi divulgada pelo Kremlin horas após o ministro das Relações Exteriores, Sergei Lavrov, entregar uma lista com 35 nomes de diplomatas americanos que deveriam ser declarados "persona non grata" pelo país. A ação seria uma resposta às sanções anunciadas pelo presidente americano, Barack Obama, que decidiu  expulsar 35 diplomatas russos dos Estados Unidos  por suposta intereferências nas eleições dos EUA.

Segundo um comunicado, Putin anunciou que a " Rússia se reserva ao direito" de responder aos Estados Unidos, mas não pretende fazer isso como uma "diplomacia irresponsável".

Entre os nomes incluídos na lista de Lavrov estavam 31 diplomatas que vivem em Moscou e outros quatro que moram em São Petersburgo.

Os 35 russos declarados "pessoas non gratas" pelo governo Obama são membros da Agência de Inteligência Central (GRU, na sigla em russo) e do Serviço Federal de Segurança (FSB), que sucedeu a KGB, além de três companhias que deram apoio às operações da GRU.

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Vazamentos

Os americanos afirmam que essas pessoas "agiram de modo incoerente com seu status consular ou diplomático" e é resultado de inúmeras falas do presidente e de membros de seu governo de que os russos tentaram influenciar no resultado das últimas eleições presidenciais dos EUA, vencidas por Donald Trump.

"Essas ações se seguem a repetidos avisos públicos e privados que nós demos ao governo da Rússia e são uma resposta necessária e apropriada aos esforços para prejudicar os interesses dos EUA", disse Obama por meio de uma nota.

Recentemente, a CIA afirmou que hackers russos vazaram e-mails do Partido Democrata para beneficiar Trump, que promete adotar uma postura mais amigável a Putin. Divulgadas pelo WikiLeaks, as mensagens indicavam um suposto favorecimento da cúpula da legenda à candidata Hillary Clinton, em detrimento de Bernie Sanders.

Segundo os serviços de inteligência dos EUA, o ataque cibernético teve o aval do próprio presidente da Rússia, que nega as acusações. Ao assumir a Casa Branca, Trump colocará no Departamento de Estado o CEO da petrolífera Exxon Mobil, Rex Tillerson, que mantém boas relações com Putin.

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Trump

O presidente eleito dos EUA, Donald Trump, afirmou que se reunirá com membros da Inteligência e da Segurança para ser atualizado da situação.

"No interesse de nosso País e de seu grande povo, encontrarei na próxima semana os líderes da comunidade de Inteligência para ser atualizado sobre os fatos dessa situação. É tempo de nosso país proceder para coisas melhores e maiores", disse Trump – em uma clara referência de que não concorda com as medidas de Obama.

O magnata falou por diversas vezes que não acredita nessa interferência eleitoral e que é hora de "virar a página" sobre a questão. No entanto, o Congresso americano está estudando fazer uma análise técnica e independente sobre a participação de servidores da Rússia em ataques hackers e na tentativa de influenciar os resultados

*Com informações e reportagem da Ansa

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