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Nesta quarta-feira (28), o País deve reiterar o pedido de apoio na busca pelos desaparecidos, segundo informou encarregada do Brasil em Nassau

Familiares informaram que não conseguem contato desde o dia 6 de novembro com os brasileiros que estavam nas Bahamas
Reprodução/Google Maps
Familiares informaram que não conseguem contato desde o dia 6 de novembro com os brasileiros que estavam nas Bahamas


A encarregada   de Negócios da Embaixada do Brasil em Nassau, Marisa Barinske, afirmou que até agora não foram encontrados registros de detenção de 19 brasileiros que integram a lista de desaparecidos em Bahamas , nem há indícios de nenhuma embarcação naufragada ou à deriva no território do país. “Ainda não sabemos absolutamente nada, é o maior mistério que enfrentamos. Não só nós, mas todas as autoridades envolvidas”, disse.

De acordo com a encarregada, que está trabalhando há dois anos em Bahamas , nunca antes houve um caso como este nas ilhas. Ela ainda disse acreditar que os brasileiros estão vivos e presos em algum lugar, não havendo embarcado. “O próprio adido da embaixada americana acredita que eles não naufragaram, senão eles já teriam sido descobertos por vestígios como roupas, boias, coletes salva-vidas. E nada disso foi encontrado até agora.”

A representação do Brasil em Nassau deve enviar nesta quarta-feira (28) mais uma nota diplomática ao Ministério das Relações Exteriores do país reiterando o pedido de apoio na busca dos brasileiros desaparecidos desde novembro em uma suposta travessia para os Estados Unidos. De acordo com Marisa, já foram feitos vários pedidos desde o início das investigações e até agora não houve nenhuma resposta oficial do governo bahamense.

A encarregada também afirmou à Agência Brasil que a embaixada do País está “desesperadamente atrás de uma solução” e que vai “pedir reforço da atuação da polícia de fronteira de Bahamas que atua junto com a polícia da costa norte-americana”. 

“Estamos em contato direto e permanente com as autoridades marítimas e ninguém tem ideia do que pode ter ocorrido”, acrescentou. A embaixada brasileira em Nassau está trabalhando em parceria com o Consulado do Brasil em Miami.

Feriado em Bahamas

O documento seria enviado ainda nesta terça-feira (27), mas, como é feriado no país onde os brasileiros desapareceram, o governo deixou para encaminhar o novo pedido de apoio nesta quarta. Até agora, não foram encontrados registros de detenção de brasileiros que integram a lista de desaparecidos, nem indícios de nenhuma embarcação naufragada ou à deriva. “Ainda não sabemos absolutamente nada, é o maior mistério que enfrentamos. Não só nós, mas todas as autoridades envolvidas”, disse Marisa.

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O que foi dito até agora

Dezenove brasileiros que estavam nas Bahamas foram considerados oficialmente como desaparecidos pelo Ministério das Relações Exteriores nesta segunda-feira. De acordo com o Itamaraty, familiares informaram não conseguir mais contato com os parentes desde o dia 6 de novembro.

A principal suspeita é de que os brasileiros teriam viajado em direção aos Estados Unidos, onde entrariam ilegalmente, por meio de uma embarcação que teria naufragado na travessia das Bahamas, no Caribe. 

O Ministério das Relações Exteriores ainda não confirmou que os brasileiros tenham entrado no barco para a travessia. À Agência Brasil, o Itamaraty informou que a embaixada brasileira em Nassau, nas Bahamas, e o consulado do Brasil em Miami, nos Estados Unidos, estão em contato com familiares e as autoridades caribenhas e americanas na tentativa de localizar os desaparecidos.

Entre os brasileiros que estariam na embarcação havia pessoas de Minas Gerais, de Rondônia e do Pará.

Vitória de Trump e a rota ilegal

O número de brasileiros presos na tentativa de atravessar ilegalmente em direção ao território norte-americano através das Bahamas cresceu de maneira significativa depois de o republicano Donald Trump ter vencido as corridas eleitorais, segundo Marisa. Afinal de contas, uma das promessas do presidente eleito durante a campanha foi exatamente a restrição da entrada de migrantes no país.

A média de prisões de brasileiros em Bahamas chegava à 50 por ano, número que deve dobrar ao fim de 2016. “A média de detenções ficava entre dez e 12 a cada dois meses. Depois da eleição de Trump, pelo menos cinco brasileiros são detidos por semana”, afirmou a encarregada da embaixada do Brasil em Nassau.

Ainda segundo ela afirmou, a rota mais usada pelos brasileiros era a do México, porém nos últimos anos muitos imigrantes têm escolhido o caminho que passa por Bahamas. Para tanto, geralmente, as pessoas saem das ilhas de Bimini e Grand Bahamas, principais pontos de embarque em direção à costa da Flórida, sob a condução de coiotes haitianos ou cubanos, também imigrantes ilegais.

Na semana passada, por exemplo, um grupo de brasileiros foi preso tentando embarcar da Ilha de Ábaco, um ponto mais distante da rota tradicionalmente feita pelos traficantes.

Para a diplomata, o desaparecimento dos brasileiros serve de alerta e, mais do que as políticas restritivas de Trump, poderá inibir o movimento de brasileiros que têm a intenção de ingressar ilegalmente nos Estados Unidos por essa rota.

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“O caso por si próprio faz com que o brasileiro tema essa travessia pela rota das Bahamas. Eles seguem em barcos de pescador, em condições precárias, e o mar aqui é muito perigoso. Nós tivemos a passagem do furacão Matthew em outubro e, até o final de novembro, passamos pela época de furacão. Será o próprio brasileiro que ficará mais alerta”, completou Marisa Barinske.

Embaixada dos Estados Unidos

A assessoria da Embaixada dos EUA no Brasil informou à Agência Brasil que o governo norte-americano está auxiliando o governo brasileiro com informações e em tudo o que é preciso para a resolução do caso do desaparecimento dos brasileiros em Bahamas. Mas a embaixada não vai se pronunciar, pois considera que o assunto é de responsabilidade integral do País.

 *Com informações e reportagem da Agência Brasil

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