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Suspeito nega envolvimento no caso; polícia local admite não ter certeza de que paquistanês seja o responsável pela morte de 12 em atropelamento

No Twitter, a polícia de Berlim informou que o balanço é de 12 mortos e 48 pessoas feridas em hospitais
Reprodução/Twitter
No Twitter, a polícia de Berlim informou que o balanço é de 12 mortos e 48 pessoas feridas em hospitais

O chefe de polícia de Berlim disse, nesta terça-feira (20), que não há evidências claras de que o paquistanês preso após o atropelamento em um mercado de Natal, em Berlim, seja realmente o motorista do veículo. O ministro do Interior da Alemanha, Thomas de Maiziere, afirmou também nesta terça que o suspeito detido é refugiado originário do Paquistão e tinha solicitado asilo.

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De acordo com o ministro, o homem chegou à Alemanha em 31 de dezembro, foi registrado como refugiado e "desapareceu" do rastro das autoridades em fevereiro, na capital.

A análise de seu pedido de asilo ainda não foi concluída, mas seu nome também não aparece em nenhum banco de dados de terrorismo, informou Maiziere. O suspeito nega qualquer envolvimento com o caso, mas a investigação continua.

"Até onde eu sei, não se pode ter certeza de que [ele] era o motorista. Estamos particularmente alertas. Por favor, esteja também alerta", disse o comandante da polícia de Berlim, Klaus Kandt. Inicialmente, a polícia tinha informado que o suspeito foi preso após ser perseguido por cerca de 2 km por uma testemunha, que manteve contato por telefone com a polícia. 

Terrorismo, Merkel e a questão dos refugiados

Merkel foi alvo de ataques de adversários devido a sua política de imigração
Presidencia de la Republica Mexicana - 12.04.2016
Merkel foi alvo de ataques de adversários devido a sua política de imigração

Também nesta terça, o governo alemão anunciou que não tem dúvidas de que o ataque tenha sido um ato terrorista. Nenhuma organização terrorista, no entanto, reivindicou a autoria do atentado, por enquanto. "Este é um dia muito triste", disse a chanceler alemã, Angela Merkel, em uma coletiva de imprensa na capital do país.  "Devemos presumir de que se trata de um atentado terrorista", anunciou.

Merkel também mostrou apreensão com a suspeita de que o autor do ataque seja um migrante que solicitava asilo na Alemanha. "Sei que para nós seria particularmente difícil de suportar se for confirmado que este ato foi cometido por uma pessoa que pediu proteção e asilo na Alemanha", afirmou na televisão, em sua primeira reação após o atentado. 

"Penso, antes de tudo, nos mortos e feridos, nas 12 pessoas que estavam entre nós, que festejavam e tinham planos para os dias de festa, e que não estão mais aqui. Quero que saibam que estamos todos com eles", lamentou Merkel.

Logo após o ataque, Merkel foi alvo de ataques de adversários devido a sua política de imigração. "Estes são os mortos de Merkel", denunciou em sua conta no Twitter um dos líderes do partido populista de direita Alternativa para a Alemanha (AFD), Marcus Pretzell.

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"A Alemanha não é mais segura" face "ao terrorismo do Islã radical", acrescentou outro membro da AFD, Frauke Petry, questionando a decisão do chanceler de abrir as portas do país para os migrantes.

Apenas em 2015, a Alemanha recebeu 1,1 milhão de solicitantes de asilo, que fugiam da guerra e da pobreza, originários principalmente do mundo muçulmano. Os migrantes não param de chegar as suas fronteiras. Em 2016, aproximadamente 300.000 chegaram ao país.

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