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Suspeito de ser o motorista do veículo foi detido nesta terça-feira; Merkel diz que seria "especialmente repugnante" se for confirmado que o autor do atentado contra mercado é alguém que "pediu proteção e asilo" na Alemanha

Ao menos 12 pessoas foram mortas e 48 ficaram feridas na noite de segunda-feira (19), quando um homem conduzindo um caminhão avançou sobre um mercado de Natal em Berlim , capital da Alemanha.

O ministro do Interior, Thomas de Maiziere, disse "não haver dúvida" de que foi um ataque terrorista.

Um homem foi preso sob suspeita de ser o motorista do veículo , mas negou ter envolvimento com o ato. Ele seria um refugiado paquistanês.

A chanceler alemã, Angela Merkel, disse que seria "especialmente repugnante" se fosse confirmado que o autor do crime tivesse sido alguém "que pediu proteção e asilo na Alemanha".

Outro homem foi encontrado morto dentro do caminhão, segundo a polícia. Abaixo, algumas respostas a perguntas que o ataque levanta:

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O que aconteceu?

Local onde caminhão atropelou pedestres fica em área movimentada da capital alemã
BBC
Local onde caminhão atropelou pedestres fica em área movimentada da capital alemã

Por volta das 20h14 (horário local), o motorista jogou o caminhão contra o público em um dos momentos mais movimentados do mercado de Natal em Breitscheidplatz, perto do Kurfuerstendamm, a principal rua comercial do centro de Berlim, repleta de moradores locais e turistas.

O local fica ao lado da ruína da igreja Kaiser Wilhelm, que foi bombardeada durante a Segunda Guerra Mundial e preservada como um símbolo dos horrores do conflito.

O caminhão de 25 toneladas carregava vigas de aço e teria arrastado tudo o que cruzou pela frente por cerca de 50 a 80 metros.

Quem é o motorista?

Ainda não se sabe ao certo. Um suspeito foi detido a cerca de 2 km do local do ataque, mas negou envolvimento no ataque. O chefe da polícia de Berlim, Klaus Kandt, declarou não ser possível confirmar se ele era de fato o motorista.

Os primeiros relatos davam conta que o homem teria deixado o caminhão a pé e fugido em direção ao Tiergarten, parque que abriga o zoológico da cidade, quando foi seguido por uma testemunha, que avisou à polícia, disse o porta-voz da corporação, Winfried Wenzel.

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Citando fontes das forças de segurança, a mídia alemã disse que o suspeito seria um paquistanês de 23 anos identificado como Naved B. Ele teria chegado ao país pedindo asilo em dezembro de 2015 e viajado para Berlim em fevereiro deste ano, informou o governo alemão, mas sua solicitação ainda não foi analisada.

O jornal Tagesspiegel disse que ele era conhecido pela polícia por crimes menores e não por vínculos com terrorismo.

Segundo relatos, forças especiais invadiram nesta terça-feira um hangar no antigo aeroporto de Tempelhof, onde há um abrigo e onde o suspeito estaria vivendo antes do ataque.

Entretanto, o jornal alemão Die Welt citou "uma fonte do alto escalão de segurança" do país, segundo a qual o verdadeiro autor do ataque ainda estaria à solta e armado.

A polícia pediu que a população informe qualquer atitude que considere suspeita.

Foi um ato extremista?

Angela Merkel adotou tom de cautela ao se referir a atropelamento em frente a mercado de Natal em Berlim
Presidencia de la Republica Mexicana - 12.04.2016
Angela Merkel adotou tom de cautela ao se referir a atropelamento em frente a mercado de Natal em Berlim

A polícia de Berlim confirmou nesta terça-feira (20) que o caminhão avançou rumo à multidão "intencionalmente".

Uma testemunha, o britânico Mike Fox, disse à agência AP que o caminhão havia passado a cerca de três metros de onde ele estava parado no mercado e que, em sua opinião, "definitivamente foi uma ação deliberada".

O ministro do Interior, Thomas de Maizière, disse na TV que os serviços de segurança não tinham pistas de que os famosos mercados de Natal do país poderiam ser alvo de agressões por grupos islâmicos.

Políticos alemães evitaram chamar o incidente de ataque "terrorista" nas horas seguintes ao incidente, mas pouco depois o governo afirmou que "muitas coisas apontam para isso".

O motorista agia sozinho?

A polícia também informou que um passageiro foi encontrado morto na cabine do caminhão. Mais tarde, soube-se que este era polonês. Suspeita-se que ele tenha sido vítima de um sequestro. Uma pistola que teria sido usada para matá-lo ainda não foi achada.

O caminhão está registrado na Polônia; segundo a agência de notícias AP, a polícia acredita que ele teria sido roubado de um canteiro de obras no país.

O dono da companhia de transporte polonesa que usava o veículo disse que não havia conseguido contato com o motorista original da unidade, também polonês, desde às 16h (horário local) de segunda-feira.

"Não sabemos o que aconteceu, é meu primo, o conheço desde que era criança, posso jurar por ele", disse o empresário Ariel Zurawski à agência de notícias AFP.

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Quem são as vítimas?

As identidades do homem encontrado no caminhão e das outras 11 vítimas ainda não foram divulgadas. Dos 48 feridos, 18 estão em estado grave.

O porta-voz de Merkel, Steffen Seibert, disse em sua conta no Twitter: "Estamos de luto pelos mortos e com esperança de que os vários feridos possam receber ajuda".

Enquanto o veículos dos serviços de emergência se apressavam para chegar ao local do ataque, a polícia de Berlim pediu ao público para evitar a região e ficar em casa.

O britânico Mike Fox testemunho o ataque e disse à agência AP que várias pessoas atingidas pelo veículo pareciam ter fraturas nos membros, enquanto outras ficaram presas embaixo dos destroços do mercado.

Outra testemunha, a australiana Trisha O'Neill, disse à Australian Broadcasting Corporation: "Apenas vi um grande caminhão preto cruzando o mercado em alta velocidade e esmagando muitas pessoas. Foi quando as luzes de apagaram e tudo foi destruído. Ouvi gritos, e todos ficamos paralisados. Então, as pessoas voltaram a se mover e a tirar as pessoas dos destroços, tentando ajudado quem estivesse sob eles".

Foi o primeiro ataque do tipo?

Ataque desta segunda-feira em Berlim remete à ação do Estado Islâmico que deixou 86 mortos em Nice, na França
Reprodução/BBC
Ataque desta segunda-feira em Berlim remete à ação do Estado Islâmico que deixou 86 mortos em Nice, na França

No início do ano, a Alemanha foi palco de ataques menores separados cometidos por militantes islâmicos – que causaram preocupação no país, principalmente após críticas de alguns setores de que o alto influxo de refugiados poderia permitir a entrada de combatentes do grupo extremista autodenominado Estado Islâmico e outros grupos militantes no país.

Dez pessoas foram mortas nestes ataques, nos Estados de Baviera e Baden-Wuerttemberg – com armas, bomba, machado e até facão –, e outras dezenas ficaram feridas.

O incidente de segunda-feira em Berlim lembrou o ataque com um caminhão no Dia da Bastilha em Nice, na França, em 14 de julho, quando 86 pessoas foram mortas. Na época, o grupo extremista autodenominado Estado Islâmico assumiu a autoria.

Tanto o EI quanto a Al-Qaeda disseram a seus seguidores para usarem caminhões em ataques contra multidões.

Como tem sido a reação na Alemanha até agora?

A chanceler Merkel disse estar "em choque e muito triste", mas acrescentou: "Não queremos viver com medo do mal, senão os inimigos da liberdade já terão vencido".

O governo informou que os mercados natalinos de Berlim permanecerão fechados nesta terça-feira, mas que outros fora da capital funcionariam normalmente.

Merkel afirmou que seria "especialmente repugnante" se o autor do ataque fosse um refugiado e prometeu aplicar "as penas mais duras permitidas pela lei" para punir os responsáveis.

A chanceler instituiu no país uma política de abertura para imigrantes. No ano passado, 890 mil refugiados em busca de asilo chegaram ao país. Críticos à medida disseram que ela era um risco à segurança.

Marcus Pretzell, membro do partido AfD, que defende políticas anti-imigração, culpou Merkel e sua política pelo ataque.

Por sua vez, Horst Seehofer, líder do CSU, partido-irmão da legenda de Merkel na Baviera, pediu que a chanceler "repense e mude sua política de imigração e segurança" após o ocorrido nesta segunda-feira.

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