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De acordo com informações da ONU, mais de 40 mil pessoas continuam à espera para deixar a cidade; Otan descartou intervir no conflito armado

Cidade de Alepo, na Síria, está em ruínas em razão dos bombardeios entre o regime de Bashar Al-Assad e opositores
Civil Defense Idlib
Cidade de Alepo, na Síria, está em ruínas em razão dos bombardeios entre o regime de Bashar Al-Assad e opositores

Organizações Não-Governamentais (ONGs) que atuam em Alepo, na Síria, estão se preparando para reiniciar as operações de resgate dos civis no local. Diversos ônibus entraram neste domingo (18) na região leste da cidade, que está sob controle do Comitê Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho Árabe Sírio.

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Os veículos serão utilizados para providenciar a retirada dos civis, que esperam há dois dias para deixar a cidade de Alepo . O local está em ruínas após bombardeios entre o regime de Bashar Al-Assad e seus aliados contra os opositores ao governo de Damasco.

A representante da Organização Mundial da Saúde ( OMS ), Elizabeth Hoff, espera que a operação comece logo no início da tarde (horário local). Uma equipe da OMS está a caminho de Ramussah, no sudoeste da cidade, de onde os civis devem partir.

A retirada dos cidadãos foi suspensa na sexta-feira (16) por decisão do regime sírio, que acusa os insurgentes de não respeitaram as condições negociadas no acordo. A interrupção foi feita pelas milícias xiitas ligadas ao Irã. Elas exigem que dois vilarejos xiitas, Fua e Kafraya, cercados pelos rebeldes na província de Idleb sejam evacuados primeiro.

De acordo com veículos oficiais de imprensa ligados ao regime de Assad, 1.200 pessoas serão autorizadas a deixar os dois vilarejos. Em contrapartida, um grupo composto pelo mesmo número de civis poderá deixar o leste de Alepo.

Observadores

O Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas ( ONU ) analisa em Nova York um projeto de resolução encaminhado pela França para o envio à cidade síria de uma missão de observadores para supervisionar as retiradas dos moradores e garantir a proteção dos civis.

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De acordo com a ONU, mais de 40 mil civis continuam à espera para deixar o local. A Cruz Vermelha fez um apelo para que as partes em conflito encontrem uma solução para salvar milhares de vidas.

Otan

O secretário-geral da Organização do Tratado Atlântico Norte (Otan), Jens Stoltenberg, declarou neste domingo, em entrevista ao jornal alemão Bild, que uma eventual participação da organização no conflito sírio iria apenas "agravar a situação".

"Somos testemunhas de uma crise humanitária terrível. Às vezes, é justo deslocar militares como no Afeganistão. Mas, às vezes, os custos de uma operação militar são superiores aos seus benefícios. Avaliando a situação dos sírios, os membros da Otan já chegaram à conclusão de que tal operação só agravaria uma situação já terrível", avaliou.

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Os 28 integrantes da Aliança Militar pertencem à coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos na luta contra o grupo Estado Islâmico, mas não estão diretamente implicados no conflito. "Há riscos de transformar em um conflito regional ainda maior que aconteçam mais mortes de inocentes. Uma intervenção militar nem sempre é uma solução", defendeu Stoltenberg sobre o caso de Alepo.


* Com informações da Agência Brasil

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