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No início do mês, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, determinou a retirada de circulação das notas de 100 bolívares para "combater máfias"

Por falta de dinheiro em espécie, população da Venezuela sofre para conseguir receber seus salários quinzenais
Divulgação/Visipol
Por falta de dinheiro em espécie, população da Venezuela sofre para conseguir receber seus salários quinzenais

Parte da população da Venezuela está impedida de receber seus salários – pagos quinzenalmente – em razão da falta de dinheiro em espécie nos bancos. A escassez das notas, que tem provocado longas filas nos estabelecimentos, é consequência da decisão tomada pelo governo de Nicolás Maduro, que determinou a retirada de circulação das cédulas de 100 bolívares (Bs), o equivalente a aproximadamente R$ 33,71.

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"Estive duas horas no Banco Plaza, para cobrar um cheque de 65 mil Bs e fui informado de que não dispunham de notas de 20, 50 nem de 10 Bs. Que apenas podiam me pagar com notas de 5 Bs, o que significa que teriam que me entregar umas 13 mil", explicou o mensageiro Juan Pérez. Com 45 anos de idade, o morador da Venezuela explicou que teve que deixar o banco sem cobrar o cheque, porque "é muito arriscado, em termos de segurança, andar com tantas notas na mão".

Ele explicou que iria retirar o salário quinzenal dele, mas não pôde recebê-lo.  “Tenho apenas uns 2 mil e em notas de 100 Bs, que já ninguém recebe. Quando estava na fila houve um senhor que recebeu a sua pensão e ficou durante algum tempo a pensar se saía do banco com a bolsa, porque se percebia que era dinheiro", relatou. Pérez disse que também tem uma conta no estatal Banco Bicentenário, mas que lá apenas entregavam 2 mil Bs aos clientes, em notas de 2 Bs.

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Diversas pessoas relataram que tiveram de correr ao banco nos primeiros dias da semana para depositar as notas de 100 Bs que tinham em casa para situações de emergência e que agora com dificuldades até para pagar a passagem de ônibus.

"Como adultos, ainda podemos fazer um esforço, mas tenho duas crianças para as quais preciso comprar o presente e, para isso, contava com a 'quinzena' [salário quinzenal]. A esta altura não há ambiente natalício, este será o Natal mais triste que tenho vivido. Sinto uma grande impotência", desabafou Manuel Sanchez, de 40 anos. Ele questionou onde andam as notas novas que o governo anunciou que entrariam em circulação em 15 de dezembro, mostrando-se preocupado se "haverá outra razão para fazer sofrer a população".

Fora de circulação

O presidente Nicolás Maduro determinou, no último domingo (11), que as notas de 100 bolívares fossem retiradas de circulação. O objetivo seria o de combater máfias internacionais (norte-americanas, colombianas, europeias e asiáticas) que estariam armazenando ilegalmente aquelas cédulas com o objetivo de desestabilizar a economia local.

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Segundo o Banco Central da Venezuela, existem 6,111 milhões de notas de 100 bolívares em circulação no país, aproximadamente 48% do dinheiro que circula entre a população.


* Com informações da Agência Lusa

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