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Ambos os lados se acusam pelo não respeito à trégua; com os intensos combates, retirada dos moradores não pode ser iniciada, conforme previsto

A queda de Alepo, que marcará o fim de quatro anos de rebelião na segunda maior cidade da Síria, é vivida na Europa como um momento de incerteza
Reprodução/Facebook Olympia Restaurant
A queda de Alepo, que marcará o fim de quatro anos de rebelião na segunda maior cidade da Síria, é vivida na Europa como um momento de incerteza

No início desta quarta-feira (14), o exército sírio retomou os bombardeios contra o setor rebelde de Alepo, cidade situação ao norte do país, apesar do acordo de cessar-fogo concluído na última terça-feira (13) entre a Rússia e a Turquia para a retirada de civis e rebeldes. 

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O pacto deveria marcar o fim da sangrenta ofensiva militar contra Alepo, iniciada há um mês. Porém, o desrespeito ao cessar-fogo impediu o início da operação para a retirada dos moradores que ainda estão na região. Tal retirada começaria nesta quarta.

Por algumas horas, os bombardeios chegaram a ser suspensos na região. No entanto, na manhã desta quarta, segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH), as tropas do regime dispararam ao menos 14 morteiros contra o setor rebelde. 

De acordo com a Rádio França Internacional, os dois lados se acusam pelo não respeito à trégua. O chanceler russo, Serguei Lavrov, afirma que a resistência dos últimos insurgentes deve estar resolvida em dois ou três dias.

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Analistas europeus dizem que o regime sírio boicota a trégua por ter se sentido excluído da negociação entre a Rússia e a Turquia, protetora dos rebeldes. O governo turco acusa Damasco de impedir a saída dos civis.

Vítimas e uma Europa incerta

Segundo estimativas de organizações humanitárias, ao todo, entre 90 mil e 100 mil civis estão cercados em uma área de cinco quilômetros quadrados no leste de Alepo. A Rússia diz que 360 rebeldes entregaram as armas nas últimas 24 horas e 6 mil civis, incluindo 2 mil crianças, puderam deixar a zona de guerra.

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A queda de Alepo, que marcará o fim de quatro anos de rebelião na segunda maior cidade da Síria, é vivida na Europa como um momento de incerteza. Isso porque a Rússia e o Irã, aliados de Bashar Al Assad, vão celebrar um triunfo. Em contrapartida, os ocidentais terão de se resignar com o restabelecimento político e militar do ditador de Damasco. De qualquer forma, o desrespeito ao cessar-fogo prejudica ambos os lados.

* Com informações da Agência Brasil.

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