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Derrotado em referendo no domingo, Matteo Renzi anunciou que renunciará ao cargo; episódio é visto como novo "teste de estresse" na Europa

Matteo Renzi anunciou, em um pronunciamento do Palácio Chigi, sede do governo, que renunciará ao cargo
Reprodução/Bloomberg
Matteo Renzi anunciou, em um pronunciamento do Palácio Chigi, sede do governo, que renunciará ao cargo

O primeiro-ministro da Itália, Matteo Renzi, deve apresentar sua renúncia nesta segunda-feira (5), depois da derrota no referendo deste domingo (4).

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O efeito do referendo constitucional na Itália , no qual os eleitores foram convocados para se pronunciar sobre mudanças no sistema político do país, também causou danos às bolsas de valores. A de Milão, na Itáilia, abriu em queda de 1,8% nesta segunda.

Com a derrota do "sim" no referendo constitucional, o primeiro-ministro da Itália, Matteo Renzi anunciou, em um pronunciamento do Palácio Chigi, sede do governo, que renunciará ao cargo.

Segundo o premier, ele irá já nesta segunda-feira (5) ao presidente da República, Sergio Mattarella, para entregar sua carta de demissão. Com isso, caberá ao chefe de Estado definir se convoca ou não novas eleições.

"Essa experiência de governo acaba aqui. Reunirei o Conselho dos Ministros e irei ao Quirinale para entregar ao presidente da República minha renúncia. Não fomos convincentes, me desculpem, mas vamos embora sem remorso", disse.

"Tempos nebulosos"

A Alemanha está em dúvida quanto ao futuro da União Europeia. Os principais jornais do país amanheceram nesta segunda repercutindo a renúncia de Renzi.

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"Renzi dá à Europa o próximo teste de estresse", é o título do jornal  Frankfurter Allgemeine Zeitung . "A derrota do premier e a sua renúncia podem dar impulso aos populistas anti-UE", comentou o diário, em sua edição online. O jornal Die Zeit , por sua vez, disse que, "com o referendo, não faliu apenas a maneira espetacular de reformar a Constituição, mas todo o projeto político de Renzi".

O diário Die Welt foi mais longe e disse temer uma chegada ao poder do Movimento 5 Estrelas (M5S), do comediante Beppe Grillo, a principal força de oposição na Itália atualmente. "Eles já demonstraram a intenção de propor um referendo sobre a saída da Itália da União Europeia", recordou.

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"Matteo Renzi era um motor do qual o continente tinha ainda mais necessidade após o Brexit, mas a Europa o deixou ir", criticou o jornal conservador Die Welt . Já o Bild questionou se "a Europa pode suportar o choque italiano", enquanto o Der Spiegel disse que "a Itália e a UE estão diante de tempos nebulosos".

* Com informações da Agência Ansa.

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