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Governo venezuelano avisou, por meio do Twitter de chanceler, que não admite a decisão e que seguirá participando de todas as reuniões do grupo

Tensões entre o governo Maduro (foto) e seus sócios aumentaram desde a chegada ao poder de governos liberais na Argentina e no Brasil
Marcos Oliveira/Agência Senado
Tensões entre o governo Maduro (foto) e seus sócios aumentaram desde a chegada ao poder de governos liberais na Argentina e no Brasil

Os quatro países fundadores do Mercosul – Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai – enviaram uma "comunicação" à Venezuela nesta quinta-feira (1º), indicando que os direitos do país no bloco "estão suspensos".  Nesta sexta-feira (2), porém, o governo venezuelano avisou que não admite a decisão e que seguirá participando de todas as reuniões do grupo.

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“A Venezuela não reconhece este ato írrito sustentado na Lei da Selva de alguns funcionários que estão destruindo o Mercosul”, escreveu a chanceler Delcy Rodríguez em sua conta do Twitter.

A chanceler venezuelana completou que o país — que entrou para o bloco em 2012 — "seguirá exercendo a presidência legítima (do Mercosul) e participará com direito a voz e voto em toda as reuniões como Estado Parte".

"Convocamos os povos do Mercosul que não deixem arrebatar seus mecanismos de integração, sequestrados x burocratas intolerantes", escreveu a ministra das Relações Exteriores na rede social.

A decisão do Mercosul está relacionada ao vencimento do último prazo acordado em setembro para que Caracas cumprisse suas obrigações de adesão ao grupo. Os chanceleres do bloco elaboraram um comunicado no qual explicam que a Venezuela não cumpriu seus acordos.

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A marginalização da Venezuela se desenhava desde que os demais sócios bloquearam, em julho passado, o acesso do país à presidência semestral do bloco. Em setembro, os quatro países fundadores decidiram ocupar o posto de forma colegiada e intimaram o governo do presidente Nicolás Maduro a adotar até 1º de dezembro todos os compromissos de adesão. Entre eles, a livre-circulação de mercadorias entre os países do Mercosul e a cláusula democrática.

Determinação de Caracas de permanecer no Mercosul

Na última terça-feira (29), a Venezuela se declarou disposta a aderir a um dos acordos comerciais pendentes - aquele relacionado às tarifas comuns e à livre-circulação de bens. "Finalizadas as revisões técnicas, a Venezuela se encontra em condições de aderir ao Acordo de Complementação Econômica", afirmou Delcy Rodríguez, em uma carta dirigida aos governos da Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai.

Sede da Secretaria do Mercosul, em Buenos Aires; grupo se reuniu para discutir crise na Venezuela
Secretaria do Mercosul
Sede da Secretaria do Mercosul, em Buenos Aires; grupo se reuniu para discutir crise na Venezuela

Rodríguez ressaltou que, atendendo aos "princípios de gradualidade, flexibilidade e equilíbrio que regem seu processo de adequação ao Mercosul, [a Venezuela] está preparada para iniciar imediatamente o processo de adesão". "Nem saímos, nem vão nos tirar do Mercosul. (...) Fazemos um apelo aos povos das capitais do Mercosul para defenderem a Venezuela, porque isso é defender os maiores ideais de integração, união e cooperação", declarou na segunda-feira (28), dia em que insistiu na determinação de Caracas de permanecer no bloco.

Tensões entre Maduro e governos de direita

O Mercosul foi fundado em 1991 e aceitou a Venezuela como membro em 2012. As tensões entre o governo Maduro e seus sócios aumentaram desde a chegada ao poder de governos liberais na Argentina e no Brasil.

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O Mercosul atravessa uma de suas piores crise, equiparável apenas àquela gerada pela suspensão do Paraguai em 2012, depois de um processo parlamentar que destituiu o presidente de esquerda Fernando Lugo. Foi nesse período que Argentina, Brasil e Uruguai aprovaram o ingresso da Venezuela, que contava com a oposição de Assunção.

* Com informações da Agência Brasil.

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