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“Não cubra a violência doméstica com maquiagem, denuncie o agressor", afirma petição. Violência contra mulher ainda não é crime no Marrocos

Canal contratou uma maquiadora para demonstrar em uma modelo como cobrir hematomas no rosto
CNN/Reprodução
Canal contratou uma maquiadora para demonstrar em uma modelo como cobrir hematomas no rosto


Um canal de televisão do Marrocos causou controvérsia e irritou ativistas do mundo todo ao ensinar mulheres a “disfarçar” feridas e hematomas, frutos da violência doméstica.

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Em um "quadro especial" de maquiagem no Dia Internacional da Violência Contra a Mulher, comemorado no último dia 25, o canal estatal de televisão “2M TV” contratou uma profissional para demonstrar em uma modelo como cobrir os hematomas da região do rosto.

“É um tópico extremamente delicado, mas ensinaremos às mulheres como cobrir os sinais de espancamentos”, disse a apresentadora do programa, sorrindo.  

O episódio incitou a reação furiosa de ativistas ao redor do mundo que passaram a acusar a emissora de incitar a violência doméstica.

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Um grupo de militantes chegou a criar uma petição online para punir o programa.

“Não cubra a violência doméstica com maquiagem, denuncie o agressor.  Como uma mulher marroquina e feminista ativista no Marrocos, e em nome dos cidadãos desse país, nós denunciamos a mensagem de normalização da violência contra mulher. Demandamos ações severas contra o programa ‘Sabahiyat’ e o canal ‘2M’”, conclama a petição.

Programa incitou a reação furiosa de ativistas ao redor do mundo que passaram a acusar a emissora de incitar a violência
CNN/Reprodução
Programa incitou a reação furiosa de ativistas ao redor do mundo que passaram a acusar a emissora de incitar a violência


Editorial Inapropriado

Depois da reação que o programa causou na sociedade marroquina, a emissora se desculpou dois dias depois, afirmando que a “escolha editorial foi inapropriada”, e que violava os princípios da empresa de lutar pelos direitos das mulheres.

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O pedido de desculpas não acalmou a fúria dos telespectadores, que continuam atacando o canal nas redes sociais, mesmo após a emissora ter removido o vídeo do programa de seu site. Até a tarde desta terça-feira (29), a petição já acumulava duas mil assinaturas.

Repercussão política

“A mídia ataca todos os nossos planos de combater a violência contra mulher. Ela normaliza esse tipo de violência, legitimando-a e cobrindo-a com maquiagem”, criticou o político marroquino, Saadiya Elbahi, em sua página no Facebook.

Não é crime

De acordo com a “CNN”, a violência doméstica não é crime no Marrocos e, de acordo com uma pesquisa encomendada pelo governo, entre os anos de 2009 e 2010, dois terços das mulheres afirmam já ter sofrido violência física, psicológica ou sexual.

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