Tamanho do texto

Especialistas avaliam que a comunidade internacional e movimentos pela democracia deverão intensificar atuação; ex-líder cubano morreu no dia 26

Morte de Fidel Castro foi confirmada na madrugada do último sábado (26); pressão por abertura política deve crescer
Arquivo/Agência Brasil
Morte de Fidel Castro foi confirmada na madrugada do último sábado (26); pressão por abertura política deve crescer

Com o falecimento do ex-presidente de Cuba Fidel Castro, na madrugada do último sábado (26), a tendência é a de que a comunidade internacional aumente as pressões por uma abertura política do país. Fidel assumiu o comando da ilha caribenha em 1959, após a Revolução Cubana, e renunciou em 2008 em razão de problemas de saúde. Mesmo depois de sua saída, o cargo de presidente passou para seu irmão Raúl Castro, que ainda ocupa o posto.

LEIA MAIS:  De Pinochet ao apartheid: Fidel nem sempre teve inimigos óbvios

Especialistas ouvidos pelo iG afirmam que, embora Fidel já não exercesse mais o poder oficialmente desde 2008, sua figura exercia forte influência no governo. Por esse motivo, sua morte deve fazer aumentar as pressões pela abertura da ilha, especialmente no que diz respeito ao modelo político-eleitoral, composto por apenas um partido.

“Apesar de não estar na política e atuando, o Fidel exerceu um papel de liderança, de relembrar os preceitos da revolução. Era uma forma de manter a resistência e o nacionalismo”, comenta Denilde Holzhacker, professora de Relações Internacionais da ESPM. Com o falecimento, acrescenta a especialista, “pode ser que esse discurso perca o protagonismo”.

“Percebe-se um enfraquecimento deste discurso e um aumento da pressão por reformas, que já vinham sendo executadas pelo Raúl”, salienta Denilde. Entre as pressões que devem se intensificar, avalia a professora, estão as cobranças feitas por movimentos pró-democracia.

Mesmo com as reivindicações pela abertura política, a professora reconhece o governo cubano deverá exercer forte pressão contrária. “O regime se mantém ainda muito coeso, e os militares têm um peso muito forte. O Partido Comunista é único e exerce um processo grande e que pode demorar mais para que essas reformas ganhem mais projeção”, continua.

LEIA MAIS:  Os dez segredos da vida privada de Fidel Castro

O professor Javier Alberto Badell, do departamento de Relações Internacionais da Pontifícia Universidade Católica (PUC) Minas, reforça que Cuba “já vinha passando por um processo gradual de reformas, que vinha sendo implementado gradualmente”. Entretanto, assim como a colega da ESPM, o especialista não acredita em uma abertura política em curto prazo, nem no surgimento de uma oposição forte no país.

Estados Unidos

Em relação à possibilidade de aproximação entre Cuba e Estados Unidos, os especialistas avaliam que esse processo depende muito mais das políticas a serem adotadas pelo futuro presidente norte-americano, Donald Trump , do que das ações do equipe de Raúl Castro. “Essa abertura não depende somente de Cuba. Se estivéssemos falando de uma continuidade do governo Barack Obama, o cenário poderia ser mais previsível. Mas ainda é preciso ver qual será, de fato, a política de Trump”, avalia Badell.

O professor cita que diversos países têm interesse de investir em Cuba , mas avalia que a ilha caribenha está mais próxima de estabelecer relações comerciais com países asiáticos – a China, principalmente –, do que com os Estados Unidos e as nações latino-americanas.

Na última segunda-feira (28), Trump afirmou que poderá rever o acordo para retomada das relações diplomáticas entre Washington e Havana . A embaixada dos Estados Unidos na ilha ficou fechada por 54 anos e foi reaberta neste ano depois de um acordo entre Obama e Raúl Castro.

Após confirmação da morte, Donald Trump disse que legado de Fidel é de
Reprodução/Facebook
Após confirmação da morte, Donald Trump disse que legado de Fidel é de "negação dos direitos humanos fundamentais”

Pelas redes sociais, o presidente eleito disse que “se Cuba não estiver disposta a fazer um acordo melhor para o povo cubano, o povo cubano-americano e os EUA como um todo”, irá encerrar o acordo.

A professora da ESPM acredita que Trump proponha, de fato, uma revisão do acordo, mas não considera crível, neste momento, o cancelamento. “A expectativa é de que Trump, como homem de negócios, pense nos ganhos econômicos gerados com a abertura das relações com Cuba. Não seria interessante nem para Cuba nem para os Estados Unidos finalizar esse processo”, destaca Denilde Holzhacker.

Homenagens

O governo cubano anunciou luto oficial de nove dias em razão da morte de Fidel Castro . O funeral do ex-presidente está marcado para o dia 4 de dezembro. Apesar de diversos chefes de Estado já terem confirmado presença, o presidente Barack Obama e o primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, anunciaram que não comparecerão.

    Leia tudo sobre: Donald Trump
    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.