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A menina foi encontrada em caixa de papelão nas ruas de cidade egípcia em 2010; menina foi encaminhada à instituição de caridade onde britânica trabalhava; ex-marido defendeu retorno da criança, mas perdeu o caso

Um bebê recém-nascido, no Egito, que fora abandonado numa caixa de papelão logo depois de ter nascido, ganhou o direito de ser adotado por uma mulher britânica, segundo decidiu a alta corte nesta terça-feira (29).  A criança, agora com seis anos, poderá ser encaminhada oficialmente ao Reino Unido depois de uma longa briga na Justiça.

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Uma juíza decidiu, depois de um processo de três anos, que a britânica poderá ficar com a criança - que já estaria sob seus cuidados há algum tempo no Reino Unido. O processo de adoção foi árduo, já que as autoridades egípcias se colocaram contra, fazendo diversas objeções. 

Os detalhes do processo foram revelados nesta terça, depois de o caso ter acontecido de maneira sigilosa. A juíza responsável afirmou que nenhuma das pessoas envolvidas no processo poderia ser identificada. Mas, acrescentou que o Conselho da cidade britânica de Liverpool teria responsabilidade pelo bem-estar da criança, indicando que a família adotiva seria de Merseyside.

De acordo com o site “The Guardian”, a menina adotada teria sido abandonada pela família biológica no final do ano de 2010, perto da cidade ao sul do Egito, Luxor, logo depois de seu nascimento. Na época, a britânica era casada com um homem egípcio e trabalhava no país, em uma instituição de caridade britânica, um orfanato. Por causa disso, ela teve contato com o bebê e, assim, ganhou responsabilidade “temporária” por ela.

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Após algum tempo com a menina, a britânica acabou se separando do marido egípcio e, por isso, voltou ao seu país de origem, levando-a sob seus cuidados. Isso aconteceu há três anos, na mesma época em que teria entrado com um pedido de adoção na justiça. Para justificar a mudança da criança para a Inglaterra, a mãe adotiva afirmou que a menina estava “florescendo”, necessitando de cuidados de uma mãe e, assim, precisaria permanecer no Reino Unido.

Motivo religioso

O ex-marido da britânica é um advogado muçulmano, que vive no Egito. Ele brigou na Justiça para que a criança retornasse ao país africano, defendendo que ou ela deveria retornar com sua ex-esposa, ou deveria viver com seus parentes egípcios.

Funcionários do ministério egípcio de solidariedade social também disseram que a menina deveria retornar ao país de origem. Para as autoridades, a adoção não foi reconhecida pela lei egípcia, uma vez que a criança “era muçulmana que poderia perder sua herança” se ela fosse criada por um não-muçulmano, no Reino Unido. A mãe adotiva é cristã. 

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Porém, a juíza do caso decidiu que a menina deve permanecer com a mãe adotiva no país europeu, já que esta situação atenderia melhor aos interesses da criança. A juíza ainda acrescentou que a adoção deveria dar uma base segura à menina.

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