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Anúncio de Modi sobre retirada de moedas de 500 e 1000 rúpias do mercado gerou filas gigantes em bancos do país e, consequentemente, "novo negócio"

Apesar de parecer simples, o novo negócio na Índia é controverso, gerando polêmica por ser
Reprodução/Twitter/South China Morning Post
Apesar de parecer simples, o novo negócio na Índia é controverso, gerando polêmica por ser "injusto"

Do lado de fora do Banco da Índia, no sul de Mumbai, alguns dos rostos daqueles que aguardam pacientemente na fila para retirar dinheiro estão se tornando familiares àqueles que prestarem atenção. Isso porque um novo tipo de “trabalho” está se tornando cada vez mais popular no país: aqueles que aguardam em filas profissionalmente.

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Desde que o primeiro-ministro da Índia , Narendra Modi, anunciou, na semana passada, que iria retirar as notas de 500 e 1000 rúpias de circulação, a notícia pegou todos os indianos de surpresa e, assim, acabou gerando certo caos no populoso país. Afinal, a mudança do governo vai eliminar 86% da moeda do mercado “do dia para a noite”. Contudo, para alguns cidadãos, o acontecimento acabou se transformando em oportunidade de ganhar dinheiro extra – já que aproveitaram o momento para poder cobrar dinheiro nas filas de espera dos banco indiano de troca das moedas.

Além dos novos “empreendedores”, que fazem da crise da moeda um negócio próprio, há alguns empregados que acabam sendo encaminhados para a fila em nome de empresas. O site "The Guardian" conversou com Santosh Garg, indiano que vai todos os dias ao Banco da Índia em nome de sua empresa de seguros, que o obriga a fazer o ‘serviço’. “Obviamente eu não gosto de vir e ficar aqui na fila por duas horas embaixo do sol quente. Eu faço isso porque meu chefe diz para que eu faça. E eu não posso, simplesmente, dizer que não”, conta.

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Além disso, algumas startups de tecnologia, tais como a “BookMyChotu” e a “DoneThing” também se aproveitaram da problemática, oferecendo ‘ajudantes’ que poderão segurar um lugar na fila para a troca da moeda por um preço entre 90 e 150 rúpias por hora (por volta de R$ 6,00). Assim, os contratados permanecem esperando até que, quando chegam próximos à chegada, chamam seu “chefe temporário” que, então, pode trocar seu dinheiro.

Polêmica

Apesar de parecer simples, o novo negócio na Índia é controverso. Alguns daqueles que estão realmente esperando por duas horas para serem atendidos no banco perto de Churchgate afirmam que enviar uma pessoa para guardar seu lugar na fila é antiético e injusto, já que nem todos têm a oportunidade de escolher pelo “serviço”.

Prathamesh Shroff, que aguardou na fila do banco do país por horas para trocar sua poupança de 12 mil rúpias, defende que todos aqueles que apoiam a decisão de Modi deveriam esperar pelo atendimento com “suas próprias pernas, assim como o restante das pessoas”.

E não é só cidadãos comuns que estão enfrentando horas de filas para conseguir recuperar dinheiro. É possível encontrar estrelas de Bollywood no local, como o ator Ravi Babu, que afirmou ter aguardado por apenas 15 minutos em um caixa eletrônico de Hyderabad – ao contrário de grande parte da elite do país.

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Apesar de parecer “ousado”, o negócio de cobrar para permanecer em uma fila não é algo novo e exclusivo da Índia. Em Nova York, o conforto de não ter de aguardar para entrar em uma peça de teatro concorrida, por exemplo, pode chegar a custar US$ 125. Ademais, nos principais hospitais de Pequim, o atendimento rápido de médicos cobiçados, que podem possuir listas de espera de meses de duração, pode ser comprado também. Segundo a teoria econômica do mercado livre, não há nada de errado em pagar para tomar o lugar de alguém em uma fila se ambas as partes concordarem. E você, o que pensa sobre isso?

*Com informações do The Guardian

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