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O coletivo “#NiUnaMenos” fez uma pesquisa e revelou realidade violenta no País, levantando problemática que atinge quase todas as argentinas; veja

Mulheres fazem ato contra cultura do estupro no Rio de Janeiro
Tomaz Silva/Agência Brasil - 01.06.16
Mulheres fazem ato contra cultura do estupro no Rio de Janeiro

No Dia Internacional de Combate à Violência contra a Mulher, celebrado nesta sexta-feira (25), uma pesquisa realizada pelo coletivo “#NiUnaMenos”, na Argentina, revela uma realidade triste e violenta no País contra o sexo feminino: 99% das mulheres afirmaram já ter sido agredidas pelos parceiros ou ex-parceiros.

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Para a pesquisa, foram considerados como violência ou agressão diversos tipos de maus tratos, desde aqueles culturalmente aceitos, como o controle do homem no relacionamento com base no dinheiro, até casos de abuso sexual e atitudes fisicamente agressivas.

E não é só em casa que a maior parte das mulheres argentinas reclamou sofrer agressões diárias. No transporte público, 79% afirmaram que já foram tocadas por, no mínimo, uma vez sem o seu consentimento. Além disso, 69% relataram ter medo de serem estupradas, e 95% já se sentiram desconfortáveis em uma situação, percebendo ter motivos para fazer uma denúncia às autoridades.

Outro dado relevante é a reação das mulheres no país: um terço das entrevistadas disse que preferiu “não contar a ninguém” sobre a violência sofrida. “Todas as mulheres tinham algum tipo de medo por ao menos alguma vez somente por estar andando na rua”, diz o relatório.

Reprodução/Twitter
"Se a minha vida não vale, que produzam sem mim", dizia um dos cartazes durante a greve contra o feminicídio

“Isso mostra um dos primeiros elos de uma cadeia de machismo cotidiana invisível", indicam as conclusões da pesquisa. "Feminicídio é a expressão mais visível dessas formas mais sutis de violência que meninas e mulheres vivem diariamente", aponta o relatório.

A pesquisa realizada online foi respondida por 59,3 mil mulheres de mais de 1.800 localidades. Nos locais de baixa conectividade, foram realizadas entrevistas em papel.

Dia contra violência

A data de 25 de novembro foi escolhida como Dia Internacional da Não-Violência contra a Mulher em 1981, durante o Primeiro Encontro Feminista da América Latina e Caribe, realizado na cidade de Bogotá.

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Nesta sexta-feira (25), o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon pediu aos governos que invistam mais recursos para a erradicação da violência contra mulheres e meninas. “Chamo os governos a mostrar seu comprometimento ampliando drasticamente os gastos nacionais em todas as áreas relevantes, incluindo no apoio aos movimentos de mulheres e organizações da sociedade civil”, declarou.

Segundo Ban, a violência contra as mulheres e meninas impõe custos de ampla escala para famílias, comunidades e economias. “Quando não podem trabalhar como resultado da violência, o emprego delas pode ser colocado em risco, comprometendo sua renda, autonomia e capacidade de sair de relacionamentos abusivos”.

“A violência contra as mulheres também resulta na perda de produtividade para as empresas, drenando recursos dos serviços sociais, dos sistemas judiciários e da saúde. A violência doméstica e cometida por parceiros íntimos permanece disseminada, o que é agravado pela impunidade.”

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De acordo com Ban Ki-moon, o resultado desse cenário é um enorme sofrimento, assim como um impedimento para as mulheres exercerem seu total e legítimo papel na sociedade. “O mundo não pode se dar ao luxo de pagar esse preço. No entanto, essa violência persiste a cada dia. E os esforços para enfrentar esse desafio, apesar do amplo compromisso político, estão cronicamente subfinanciados”, declarou o secretário-geral da ONU.

* Com informações da Agência Brasil

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