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Ação de Erdogan é vista como contra-ataque à ação do Parlamento Europeu de suspender as negociações do país para fazer parte da União Europeia

Presidente da Turquia informou que o governo abrirá as fronteiras caso a Europa não colabore com o fluxo de refugiados
Anadolu Agency
Presidente da Turquia informou que o governo abrirá as fronteiras caso a Europa não colabore com o fluxo de refugiados


Em um contra-ataque à decisão do Parlamento Europeu em pedir a suspensão nas negociações para a entrada da Turquia na União Europeia, o presidente Recep Tayyip Erdogan ameaçou "abrir as fronteiras" aos imigrantes que chegarem em massa ao continente europeu.

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"Nós permitiremos que os refugiados ultrapassem a fronteira. Vocês nunca trataram a humanidade de maneira honesta e não se preocuparam com as pessoas de maneira justa. Vocês não recolheram as crianças [que se afogaram] no Mediterrâneo. É a Turquia que alimenta cerca de 3,5 milhões de refugiados", esbravejou Erdogan.

O turco acusa países europeus de não cumprirem o acordo firmado entre as partes para frear a chegada de imigrantes ilegais.

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O porta-voz da Comissão Europeia, Margaritis Schinas, por sua vez, afirmou que os europeus estão "plenamente empenhados em fazer funcionar o acordo com a Turquia" e que os contatos "em nível técnico e político" continuam sendo realizados.

Erdogan já havia dito na quarta-feira (23) que a União Europeia vem falhando em cumprir suas promessas, especialmente quanto a liberação da necessidade de vistos para os turistas turcos.

Aumento de vítimas fatais

Autoridades internacionais informam que, entre janeiro e outubro de 2016, pelo menos 3,8 mil imigrantes morreram ou desapareceram no Mar Mediterrâneo ao tentar sair do Oriente Médio rumo à Europa.

Segundo William Spindler, representante da Agência das Nações Unidas para Refugiados (Acnur), este foi o ano com maior número de ocorrências de mortes entre os refugiados.

O total de óbitos, entretanto, pode ser bem maior, já que o levantamento foi feito informalmente, com base em incidentes registrados recentemente e em testemunhos colhidos pelos integrantes da Acnur.

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A agência, ligada à Organização das Nações Unidas (ONU), é especializada no atendimento a imigrantes em locais de conflito ou fortemente afetados pela miséria.

"Nós recebemos informações segundo as quais muitas pessoas estão mortas ou desaparecidas. Se trata, claramente, de uma estimativa", acrescentou Spindler, reforçando a possibilidade de que o número de vítimas fatais possa ser significativamente maior.

* Com informações da Agência Ansa

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