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Mãe fugiu com a filha da Costa do Marfim para salvá-la de mutilação genital, mas acabou se desencontrando com a menina, de quatro anos; reencontro se deu após amiga da garota reconhecer foto em centro para refugiados

A policial Maria Volpe ganhou o apelido de `Mamma Maria` por seu trabalho com crianças refugiadas desacompanhadas
Divulgação/Polizia di Stato
A policial Maria Volpe ganhou o apelido de `Mamma Maria` por seu trabalho com crianças refugiadas desacompanhadas

Tudo indicava que seu destino era crescer sem família na Europa, mas um golpe de sorte mudou a história da pequena refugiada Oumoh, de quatro anos, que viajou sozinha do norte da África até a Itália.

A mãe de Oumoh fugira com ela da Costa do Marfim, no oeste da África, para salvá-la do ritual de mutilação genital.

Ela deixou a criança com uma amiga, na cidade de Túnis, na Tunísia, no norte do continente, e voltou para casa para buscar alguns pertences. Depois disso, mãe e filha não se viram mais.

Viagem sozinha para a Itália

A amiga que tinha ficado tomando conta de Oumoh teve a chance de viajar para a Itália e levou a menina com ela. Mas a deixou sozinha no caminho.

Oumoh foi resgatada no mar e levada para um centro de refugiados na ilha italiana de Lampedusa. E ninguém que estava no barco sabia quem era a menina.

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A policial italiana Maria Volpe, conhecida como 'Mamma Maria' ('Mamãe Maria', em italiano) por seu trabalho com crianças migrantes desacompanhadas, foi até Lampedusa buscar Oumoh.

A menina estava traumatizada e não conseguia se comunicar, informou Marilena Cefala, responsável pelo centro de refugiados, à agência de notícias Reuters.

Oumoh foi então transferida para um abrigo de crianças refugiadas em Palermo, na Sicília.

"É Oumoh!"

Milhares de migrantes têm morrido na tentativa de chegar à Itália em barcos precários ou superlotados
© Italian Navy/Masimo Sestini/Acnur
Milhares de migrantes têm morrido na tentativa de chegar à Itália em barcos precários ou superlotados

Dias mais tarde, aconteceu uma feliz coincidência em Lampedusa.

No meio de um grupo de migrantes resgatados na costa da Líbia, no norte da África, estavam a menina Nassade, de oito anos, a mãe e um irmão.

A responsável pelo centro de refugiados emprestou o celular para que Nassade se distraísse enquanto a mãe era entrevistada.

Foi então que a menina viu uma foto e gritou: "É Oumoh, é Oumoh!"

As duas tinham se conhecido na Tunísia.

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Com as informações que Nassade passou sobre a mãe de Oumoh, Marilena Cefala fez uma busca no Facebook e localizou na França um parente da menina perdida.

O parente, então, informou o telefone da mãe de Oumoh, que ainda estava em Túnis, e Cefala passou a informação à "Mamma Maria".

"Ela chorou de alegria quando eu disse que a filha estava viva e a salvo", contou a policial à Reuters.

A mãe de Oumoh disse que tinha fugido de casa para salvar a filha da pior forma de mutilação genital: em que a criança tem o clitóris retirado, os grandes lábios cortados e o orifício vaginal quase totalmente costurado, procedimento também conhecido como infibulação.

Para que as duas possam se reencontrar, falta apenas o resultado de um exame de DNA confirmando que elas são mesmo mãe e filha, explicou a policial.

"Toca o seu coração ver os olhos dessas crianças, que são tão pequenas", disse 'Mamma Maria'.

"Elas se apegam rapidamente e você se torna o ponto de referência delas. É um privilégio poder fazer este trabalho com amor e humanidade", completou.

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