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Pelo novo tratado, membros da guerrilha terão cinco cadeiras garantidas no Senado e na Câmara dos Deputados nos próximos dois ciclos legislativos

Presidente colombiano, Juan Manuel Santos conseguiu novo acordo com as Forças Armadas Revolucionárias (Farc)
César Carrión / SIG - 24.11.2016
Presidente colombiano, Juan Manuel Santos conseguiu novo acordo com as Forças Armadas Revolucionárias (Farc)


O presidente colombiano, Juan Manuel Santos, e o comandante das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), Rodrigo Londoño Echeverri, o "Timochenko", assinaram nesta quinta-feira (24) um novo acordo de paz.

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O tratado foi firmado no Teatro Colón, em Bogotá, pouco menos de dois meses depois de o pacto anterior ter sido rejeitado em um referendo popular na Colômbia

Assim como o anterior, o novo acordo enfrenta resistência de parte da sociedade, principalmente do grupo liderado pelo ex-presidente Álvaro Uribe.

A grande diferença é que desta vez o documento será submetido apenas ao Parlamento e não passará pelo crivo das urnas.

Na última terça-feira (22), Santos havia reconhecido que o tratado não agradará a todos, mas deve manter aberta a porta da política para os membros das Farc, além de não enquadrar o narcotráfico como crime contra humanidade.

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Além disso, assim como o anterior, não prevê que guerrilheiros cumpram pena em prisões comuns, como defende Uribe.

As negociações entre Bogotá e as Farc para encerrar o conflito mais longevo da América Latina já duram mais de quatro anos e renderam a Santos o Prêmio Nobel da Paz em 2016, mesmo após o primeiro acordo ter sido rejeitado pelo povo.

presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, e líder das FARC, Rodrigo Londoño, cumprimentam-se após assinatura
César Carrión / SIG - 24.11.2016
presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, e líder das FARC, Rodrigo Londoño, cumprimentam-se após assinatura


Pelo novo tratado, os membros da guerrilha terão cinco cadeiras garantidas no Senado e na Câmara dos Deputados nos próximos dois ciclos legislativos. Além disso, o narcotráfico só ficará isento de anistia caso o combatente o tenha usado para enriquecimento pessoal, ítem que não estava detalhado no pacto anterior.

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O documento também tira a possibilidade de participação de magistrados estrangeiros no Juizado Especial da Paz e determina que bens e ativos em poder das Farc sejam usados para indenizar vítimas do conflito. Estima-se que mais de 260 mil pessoas tenham morrido em 52 anos de hostilidades na Colômbia.

* Com informações da Agência Ansa

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