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Governo do republicano pode comprometer o processo de degelo das relações entre as duas nações, que foi iniciado durante a gestão de Obama

Cerimônia oficial marcou o hasteamento da bandeira cubana em frente à embaixada norte-americana da ilha
Reprodução/Twitter
Cerimônia oficial marcou o hasteamento da bandeira cubana em frente à embaixada norte-americana da ilha

O governo de Cuba não comentou nessa quarta-feira (9) a vitória do republicano Donald Trump nas eleições presidenciais dos Estados Unidos, mas anunciou que fará uma semana de exercícios militares em toda a ilha para "enfrentar o inimigo".

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Mesmo não se referindo abertamente à mudança de governo nos Estados Unidos, que pode comprometer o processo de degelo das relações entre Cuba e os EUA, o momento no qual a notícia foi divulgada faz com que ela seja indiretamente direcionada a Trump e aos republicanos.

Segundo o jornal governista Granma , a partir do próximo dia 16, daqui há exatamente uma semana, as forças armadas cubanas darão início à Operação Bastião 2016, cujo objetivo é verificar "a preparação das tropas e da população civil para enfrentar diversas possíveis ações do inimigo".

O jornal afirma que essas manobras militares incluirão "movimentos de tropas e de material bélico, voos de aviões da aeronáutica militar e testes de materiais explosivos".

É a sétima vez que o regime dos irmãos Raul e Fidel Castro anuncia esses exercícios, que acontecem sempre em concomitância com momentos de tensão nos Estados Unidos.

A primeira vez que foram organizados foi em 1980, após as eleições do ex-presidente Ronald Reagan.

Vitória surpreendente

Após uma votação bastante acirrada, o empresário Donald Trump, do Partido Republicano, conquistou na madrugada da última quarta-feira (9) as eleições presidenciais nos Estados Unidos com 288 votos. O novo presidente dos Estados Unidos venceu a disputa em 27 Estados. Sua adversária Hillary Clinton, do Partido Democrata, levou a melhor em apenas 19 Estados, com 215 votos. 

A conquista de Estados até então com intenções de votos indefinidas ajudou Trump a liderar as eleições, isso porque o candidato levou vantagem em Ohio e na Flórida, por exemplo. Ao mesmo tempo, Hillary obteve êxito em Nova York e manteve o favoritismo na Califórnia, mas não foi o suficiente para uma vitória.

Hillary se saiu vencedora também na Virginia e no Colorado, enquanto Trump levou a melhor na Georgia e em Iowa. Esses Estados eram chamados de "battleground states" ("Estados de campo de batalha", em português literal),  onde não havia favoritismo claro para nenhum dos dois candidatos e pode, portanto, ter sido fator decisivo para a conquista de Trump.

Durante a campanha, Hillary chegou a acusar Trump de ter violado o embargo econômico imposto a Cuba, após uma reportagem sobre uma empresa do magnata que gastou dinheiro na ilha sem a aprovação de Washington.

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Diante de perguntas sobre o caso, a chefe de campanha de Trump, Kellyanne Conway, quase admitiu que o embargo foi violado. "Pelo o que entendo da reportagem, eles pagaram em dinheiro em 1998", disse à emissora ABC . Entretanto, Trump finalmente "decidiu não investir lá", acrescentou, pois o magnata manteve uma postura "muito crítica" sobre Cuba e o governo castrista.

* Com informações da Agência Brasil.

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