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Ao contrário de Obama, que enfrentou forte oposição e teve diversos projetos de lei barrados pelo Congresso, Trump terá caminho livre para atuar

Em discurso de vitória para simpatizantes em um hotel de Nova York, Trump também elogiou a candidata derrotada
Reprodução/CNN
Em discurso de vitória para simpatizantes em um hotel de Nova York, Trump também elogiou a candidata derrotada

O presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump , tem um motivo adicional para comemorar sua vitória: seu partido manteve o controle do Congresso.

Com maioria na Câmara dos Representantes e no Senado, o republicano poderá ter o caminho facilitado para aprovar medidas – caso não enfrente oposição dentro do próprio partido.

O Partido Republicano controla a Câmara dos Representantes desde 2010. Quatro anos depois, em 2014, passou a controlar também o Senado.

Por causa disso, Obama enfrentou forte oposição e teve diversos projetos de lei barrados pelo Congresso.

Com as casas legislativas sob o domínio Republicano, Trump não deve sofrer obstrução semelhante. Ainda assim, analistas ponderam que isso pode não acontecer naturalmente.

Muitas políticas de Trump encontram resistência dentro de seu próprio partido. Durante a campanha, veteranos do republicanos, como Colin Powell e Mitt Romney, criticaram o agora presidente eleito e negaram apoio à candidatura.

Congressistas importantes também demonstraram receio com a emergência de Trump.

O senador John McCain, que disputou a presidência com Barack Obama em 2008, não chegou a retirar o seu apoio a Trump, mas fez duras críticas a declarações dadas por ele.

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Quando Trump criticou os pais de um capitão do exército americano morto no Iraque por terem participado da convenção democrata, McCain, que é veterano de guerra, reagiu com veemência.

"Não posso enfatizar o quão profundamente eu discordo da declaração dada por Trump," escreveu McCain em um comunicado, que dizia ainda: "Espero que os americanos entendam que o que ele disse não representa o pensamento do nosso Partido Republicano, dos seus oficiais, ou dos seus candidatos."

Paul Ryan, líder republicano na Casa dos Representantes, endossou a candidatura de Trump, mas fez uma campanha distanciada do presidente eleito.

Tanto McCain quanto Ryan mantiveram seus assentos no Congresso.

Ainda assim, Trump tem, de saída, uma ampla vantagem em relação a Obama. Além do Congresso, os republicanos vão poder escolher o próximo juiz da Suprema Corte, que poderá ter uma maioria de juízes conservadores.

Como os Republicanos ganharam o Congresso

No Senado, 34 assentos dos 100 assentos estavam em disputa. A vitória apertada do Senador Pat Toomey sobre a democrata Katie McGinty, na Pensilvânia, selou a disputa na casa.

Até o momento, a apuração das urnas indica que os republicanos obtiveram 51 assentos no Senado, contra 45 dos democratas
BBC
Até o momento, a apuração das urnas indica que os republicanos obtiveram 51 assentos no Senado, contra 45 dos democratas

Confira outros desdobramentos:

- Todd Young venceu o ex-Senador Evan Bayh e manteve seu assento em Indiana.
Richard Burr asseguro seu lugar na Carolina do Norte

- Ron Johnson também foi vitorioso em Winsconsin, apesar das expectativas indicarem uma vitória do democrata Russ Feingold.

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- Marco Rubio, que concorreu nas primárias contra Trump também assegurou seu assento na Flórida.

- O ex-candidato à presidência John McCain também manteve seu assento no Arizona.

Até o momento, a apuração das urnas indica que os republicanos obtiveram 51 assentos no Senado, contra 45 dos democratas.

Na Câmara dos Representantes (equivalente à Câmara de Deputados brasileira), a renovação foi completa. No total, 435 congressistas foram eleitos ─ ou reeleitos.

Mesmo tendo se distanciado de Trump durante a campanha, o presidente da Câmara dos Representantes, Paul Ryan, foi reeleito em Winsconsin.

Minorias ganham destaque

Apesar do triunfo republicano, pelo menos duas democratas fizeram história ao se tornarem as primeiras representantes de minorias a serem eleitas para o Congresso.

Na Câmara dos Representantes, Ilhan Omar se tornou a primeira americana muçulmana de origem somali a ser eleita para um cargo público. Ela vai representar o Estado de Minnesota.
Ilhan chegou aos Estados Unidos ainda criança, após escapar da guerra civil na Somália com sua família.

Antes disso, ela havia passado quatro anos em um campo de refugiados no Quênia.

Já no Senado, a democrata Catherine Cortez Masto levou um dos 34 assentos em disputa, tornando-se a primeira mulher de origem latina a ser eleita para o Senado.

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Masto venceu uma disputa acirrada contra o republicano Joe Heck, em uma campanha que bateu recorde de gastos, segundo informou o jornal americano The New York Times .

Ela vai ocupar o assento do senador veterano Harry Reid, que era líder da minoria democrata na casa e vai se aposentar neste ano.

Neta de um imigrante mexicano, Masto chega ao Senado aos 52 anos.

Ela foi advogada-geral em Nevada e angariou votos ao juntar sua campanha à de Hillary Clinton, que venceu no Estado.

Durante toda a campanha, Masto criticou fortemente os planos de Trump de construir um muro dividindo os Estados Unidos e o México.

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