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De acordo com Anuário de Segurança Pública, estupros registrados em 2015 tiveram uma leve retração em relação ao ano anterior, de 50.438 para 45.460

Para Ong, queda no número de casos está ligada com o fato de que muitas mulheres não denunciam o estupro
Rovena Rosa/Agência Brasil - 01.06.2016
Para Ong, queda no número de casos está ligada com o fato de que muitas mulheres não denunciam o estupro


Dados divulgados pelo Anuário Brasileiro de Segurança Pública, nesta quinta-feira (3), que apontam uma leve retração do número de estupros registrados em 2015 em relação ao ano anterior, de 50.438 para 45.460, suscitou repercursão entre ativistas da causa no País. 

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Para o Centro Feminista de Estudos e Assessoria (Cfemea), a queda no número de casos está ligada com o fato de que muitas mulheres não denunciam o estupro .

“Tem sido cada vez mais difícil sustentar as denúncias de estupro no Brasil por conta de uma onda de retrocesso bastante conservadora”, enfatiza a assessora técnica do centro, Jolúzia Batista.

Jolúzia culpou a revitimização de mulheres durante o processo jurídico, a péssima qualidade do atendimento das vítimas, o constrangimento a que são submetidas e a impunidade de agressores como agravantes do quadro no país. “Não acreditamos que os números tenham caído”, destacou.

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Para a ativista, “é preciso falar sobre a qualidade do atendimento, de perseguir mesmo o caso e prender o estuprador. Isso tudo além de enfrentar a cultura do estupro, que seria promover uma educação igualitária para homens e mulheres, enfrentar o machismo e a educação sexista que dá poder ao homem de achar que pode dispor do corpo da mulher a qualquer hora e lugar”, acrescentou.

Manifestação de mulheres contra o machismo e a cultura do estupro na Avenida Paulista em São Paulo
Rovena Rosa/Agência Brasil - 01.07.2016
Manifestação de mulheres contra o machismo e a cultura do estupro na Avenida Paulista em São Paulo


Agravantes

Outro fator que pode mascarar os números, segundo o Cfemea, é a alta ocorrência desse tipo de crime dentro das próprias residências das vítimas – sobretudo meninas menores de idade e normalmente abusadas por pais, padrastos, irmãos, tios ou primos. “São casos muito mais delicados e que não são denunciados”, explicou.

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“O que devemos nos perguntar é: como enfrentar a cultura do estupro e o feminicídio numa sociedade em que o movimento conservador breca o debate da educação não sexista nas escolas? Se não for pela educação, com um debate transparente e de forma assertiva, como fazer isso? Até porque, ao mesmo tempo, temos instalada na sociedade a cultura do estupro. Como enfrentar tudo isso se não for pela educação de gênero?”, ponderou a ativista.

* Com informações da Agência Brasil

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