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Juan Manuel Santos doará o montante de 8 milhões de coroas suecas, o equivalente a R$ 3 milhões, para quem sofreu com a guerra de meio século

Acordo de paz entre as Farc e o governo colombiano foi rejeitado pela população do país após consulta em referendo
Natalio Cosoy/ BBC Mundo
Acordo de paz entre as Farc e o governo colombiano foi rejeitado pela população do país após consulta em referendo


O presidente colombiano, Juan Manuel Santos, anunciou nesta segunda-feira (10) que doará o dinheiro que vai receber pelo Prêmio Nobel da Paz de 2016, com o qual foi agraciado por seus esforços em assinar um acordo com o grupo guerrilheiro Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia ( Farc ). As informações são da Agência Ansa.

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O prêmio em dinheiro que irá para o mandatário colombiando é de 8 milhões de coroas suecas, o que equivale a R$ 3 milhões. Santos dará o dinheiro às vítimas do conflito armado com as Farc, que já dura mais de meio século na Colômbia. "Vamos doar 8 milhões de coroas suecas para que as vítimas sejam reparadas", disse Juan Manuel Santos, que foi anunciado como Prêmio Nobel da Paz na semana passada.

Desde 2012, o governo da Colômbia negocia em Cuba com representantes das Farc para a consolidação de um armistício. Eles chegaram a um acordo de paz, segundo o qual a guerrilha abandonará as armas e as táticas de guerra, mas o texto foi rejeitado pela população da Colômbia em um referendo. Agora, Santos tenta um novo acordo com as Farc que tenha o aval de seus eleitores.

Referendo

O presidente colombiano anunciou que "não desistirá" de assinar o acordo de paz com a guerrilha Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), mesmo após uma derrota inesperada nas urnas, onde a maioria da população se disse contrária à negociação.

"O cessar-fogo é bilateral e definitivo. Não desistirei. Buscarei a paz até o último dia do meu mandato", disse Santos, em sua primeira declaração após a divulgação do resultado do referendo.

Pedindo para o referendo não "desestabilizar o país", Santos ressaltou que convocará ainda nesta segunda-feira as "forças políticas da Colômbia", principalmente as que fizeram campanha pelo "não" no referendo, para escutar suas ressalvas ao acordo.

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Os líderes das Farc, que desde 2012 negociam o acordo de paz com o governo para colocar fim a um dos conflitos mais antigos da América do Sul, também mantiveram sua palavra. "As Farc reafirmam sua vontade própria de paz e sua disponibilidade de usar apenas a palavra como arma de construção do futuro", prometeu o guerrilheiro Rodrigo Londono, conhecido como "Timochenko".

O ex-presidente colombiano Álvaro Uribe, um dos principais promotores do "não" no referendo, disse estar disposto a participar de um "grande pacto nacional" para colocar fim à atividade da guerrilha, mas já estabeleceu uma série de condições para as novas negociações.

"É fundamental que, em nome da paz, não se coloque em risco os valores que a tornam possível", comentou Uribe, pedindo "correções" ao acordo que já havia sido negociado entre o atual governo e as Farc. "Deve haver justiça, e não simplesmente uma revogação das instituições, um pluralismo que não pode ser interpretado como um 'prêmio' por um crime, e uma política social que não comprometa os que são 'limpos' [de crimes]", disse.

Um dos pontos mais polêmicos do acordo, que foi negociado em Cuba e selado na segunda-feira passada (26), é a punição aos membros das Farc, que poderiam ir para a cadeia por até 20 anos.

Pelo texto do acordo, a guerrilha também deveria entregar todas as suas armas às Nações Unidas, não se envolver mais em crimes como sequestro, extorsão e recrutamento de crianças, romper ligações com o tráfico de drogas e cessar os ataques contra as forças de segurança e os civis.

Com 99% das urnas apuradas, o "não" recebeu 50,22% dos votos, contra 49,78% do "sim", em um sinal de que o país está dividido em relação ao acordo de paz. Cerca de 35 milhões de colombianos estavam habilitados a votar no referendo, mas houve uma abstenção de 63%.

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A Colômbia enfrenta uma guerra com as Farc há 52 anos. O conflito já provocou a morte de 220 mil pessoas. A guerrilha tinha prometido que, caso o acordo fosse assinado, se tornaria um partido político. O governo colombiano não precisava submeter o acordo de paz a um referendo, mas decidiu convocar a consulta popular para dar legitimidade política à decisão.

*Com informações da Agência Brasil

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