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País africano vive onda de ataques contra albinos, considerados por alguns a cura de doenças e, por outros, o símbolo do azar, da maldição e da bruxaria

Angel Savatory, 17, é albina e contraiu câncer de pele por exposição imprópria ao sol; ela foi ataca pelo próprio pai
Facebook Tanzania Albinism Society/Reprodução
Angel Savatory, 17, é albina e contraiu câncer de pele por exposição imprópria ao sol; ela foi ataca pelo próprio pai


Said Abdallah, uma menina de 10 anos, teve os braços decepados depois que homens a atacaram acusando-a de ser uma “bruxa amaldiçoada". Mas o real motivo pela qual Said foi agredida é ser albina. A Tanzânia, o país da África com o maior número de albinos, vive uma onda de casos como o de Said.

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Principalmente nas áreas rurais do país africano, acredita-se que a ausência de melanina na pele, no cabelo e nos olhos, principais causas que levam ao albinismo, são sinais de maldição e azar. A intensificação dos problemas de intolerância fez com o que o governo tanzanês passasse a abrir centros de acolhimento a  albinos  por todo país.

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Muitos albinos são expulsos de suas próprias casas porque suas famílias têm vergonha de cria-los.

De acordo com a Associação de Albinismo da Tanzânia, foram registrados neste ano oito mil albinos no país, entre homens, mulheres e crianças. Para a representação, acredita-se que essa população é muito maior já que a maioria dos albinos se esconde ou não se declara albina com medo da repressão. 

Alngel Salvatore, 17, não resistiu a um câncer de pele contraído pela falta de acesso a proteção solar
Facebook Tanzania Albinism Society/Reprodução
Alngel Salvatore, 17, não resistiu a um câncer de pele contraído pela falta de acesso a proteção solar


“Muitos albinos fogem de suas vilas com medo de serem esquartejadas e terem seus órgãos vendidas por traficantes”, explica a jornalista Ana Palacios ao jornal britânico “Metro”.

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De acordo com Ana, alguns acreditam que “os órgãos de albinos podem ser usados em poções mágicas”.

Cura da Aids

Enquanto para alguns a doença é vista como uma maldição; para outros, os albinos são milagrosos. “Eles são estuprados porque alguns acreditam que eles carregam a cura da Aids. Eles são alienados da sociedade por serem considerados mágicos”, enfatiza Ana.

Algumas famílias africanas acreditam que as crianças brancas são um "estigma" e, dessa forma, eles passam a ser "maltratados" e "menos alimentados". Muitos, inclusive, não recebem o tratamento necessário e acabam como vítimas do câncer de pele.